EnglishEspañolPortuguês

Cavalos serão explorados em pesquisas sobre medicamento contra o coronavírus

28 de maio de 2020
3 min. de leitura
A-
A+
(Foto: Pixabay / Ilustrativa)va

Cavalos serão explorados em pesquisas semelhantes realizadas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. O objetivo dos pesquisadores é criar um soro hiperimune a partir dos anticorpos retirados do sangue de cavalos expostos, de maneira controlada, ao vírus inativo.

No Rio de Janeiro, a pesquisa será realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Instituto Vital Brazil (IVB), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), com apoio da Faperj, do CNPq, da Capes e da Finep. Os dez primeiros cavalos terão o vírus injetado nesta semana.

Segundo informações do jornal GaúchaZH, caso o sistema de defesa dos cavalos produza anticorpos, eles serão analisados pelos cientistas do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ para que se descubra se esses anticorpos conseguirão impedir a multiplicação do coronavírus e se a quantidade de anticorpos produzida pelos cavalos é suficiente.

Não se sabe, porém, se a pesquisa obterá sucesso – caso obtenha, os anticorpos serão usados no medicamento contra a Covid-19. Essa incerteza, porém, expõe mais uma realidade da pesquisa científica: animais são explorados sem que sequer exista qualquer certeza sobre eficácia.

O médico norte-americano Ray Greek já alertou: “a pesquisa científica com animais é uma falácia”. Sem qualquer compromisso com a causa animal, o especialista milita contra os testes por acreditar que eles atrasam o desenvolvimento da ciência. “A falácia nesse caso é de que devemos testar essas drogas primeiro em animais antes de testá-las em humanos. Testar em animais não nos dá informações sobre o que irá acontecer em humanos. Assim, você pode testar uma droga em um macaco, por exemplo, e talvez ele não sofra nenhum efeito colateral. Depois disso, o remédio é dado a seres humanos que podem morrer por causa dessa droga. Em alguns casos, macacos tomam um remédio que resultam em efeitos colaterais horríveis, mas são inofensivos em seres humanos. O meu argumento é que não interessa o que determinado remédio faz em camundongos, cães ou macacos, ele pode causar reações completamente diferentes em humanos. Então, os teste em animais não possuem valor preditivo. E se eles não têm valor preditivo, cientificamente falando, não faz sentido realizá-los”, explicou o médico, em entrevista à Veja.

Em Minas Gerais, um estudo semelhante será realizado pela Fundação Ezequiel Dias (Funed). A pesquisa foi aprovada pelo Programa Emergencial de Apoio a Ações de Enfrentamento da Pandemia Causada pelo Novo Coronavírus, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Cinco cavalos serão explorados num primeiro momento.

Nota da Redação: animais existem por propósitos próprios, não para atenderem às necessidades humanas. Submeter um animal a qualquer que seja o procedimento, havendo ou não sofrimento físico e psicológico, apenas para beneficiar as pessoas, é uma prática exploratória. Essas atividades não beneficiam os animais de nenhuma maneira. Sem condição de consentir, eles são forçados a participar de estudos para solucionarem problemas que são de responsabilidade da sociedade, não dos animais.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


Você viu?

Ir para o topo