Girafa morre aos 23 anos sem jamais ter conhecido a liberdade

           
Benghazi ou Ben | L.A. Times
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Benghazi, a girafa do sexo masculino, nasceu e passou a vida toda no zoológico de Oakland (EUA), onde além de ser explorado para entretenimento humano, servindo de enfeite para visitantes e suas ávidas máquinas fotográficas, ainda carregou uma câmera presa a cabeça para um documentário (do ponto de vista dos animais) e ainda pintou até quadros (que mais tarde foram vendidos, claro) – morreu depois de um ano lutando e sofrendo com uma lesão nas costas. Ele tinha 23 anos.

O zoológico de Oakland anunciou nas mídias sociais na quinta-feira última (9), que o animal foi “humanamente” sacrificado ou mortos por indução esta semana. A girafa, apelidada de Ben, nasceu no zoológico em 1996. Ele havia comemorado um aniversário apenas seis semanas antes de sua morte.

Benghazi ou Ben | L.A. Times
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Ele estava sofrendo de lesões na região lombar e sacro, que os funcionários do zoológico acham que ele adquiriu enquanto se levantava após o sono ou após ficar deitado por muito tempo. Estava ficando difícil para o animal enorme descansar confortavelmente, disseram autoridades do zoológico.

“Fizemos tudo o que podíamos – tratamentos quiropráticos, medicação, tratamentos a laser e terapia de campo eletromagnético pulsado. Infelizmente, esse tipo de lesão não é reversível, e a mobilidade de Benghazi diminuiu bastante”, disse Jessica Chapman, a principal mantenedora de girafas, em um comunicado.

Ben era motivo de orgulho do zoológico que o considerava “um artista”, treinado (leia-se obrigado) desde a mais tenra idade para criar pinturas em telas que eram leiloadas posteriormente para – em teoria – apoiar a conservação das girafas na natureza, segundo autoridades do zoológico.

Muitos de seus familiares, incluindo irmãos, sobrinhas e sobrinhos, moravam com Ben no zoológico. Sua mãe, T’Keyah, outro antigo membro do zoológico, morreu em 2017, quando tinha 28 anos.

A expectativa de vida média para uma girafa presa em cativeiro é de 25 anos, segundo a Sociedade de Conservação da Califórnia, que administra o zoológico de Oakland.

Ben tinha uma enorme personalidade que era correspondida apenas por sua altura. Com 16 pés de altura (quase 5 metros), ele era a segunda girafa mais alta do zoológico, informou o SFGate.

Sua altura veio a calhar quando ele foi escolhido para ser apresentado em um documentário da National Geographic de 2016 chamado “Last of the Longnecks”, no qual ele tinha uma câmera GoPro amarrada à sua cabeça para mostrar sua perspectiva, informou o site de notícias.

Assim Ben deixa o mundo sem jamais ter corrido pelas savanas africanas seu habitat de origem, sem ter sentido a poderosa liberdade de correr a 56km/h, velocidade alcançada pela espécie em campo aberto, apenas por um capricho humano que acredita que animais podem ser dispostos como produtos em uma vitrine ou manuseados como marionete para entreter plateias entediadas.

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