Estudo revela que iluminação artificial ameaça anfíbios de extinção

A iluminação de carros, prédios e postes de luz está impedindo o crescimento e a postura de ovos por sapos, de acordo com um novo estudo.

As populações de anfíbios já estão em declínio severo graças ao uso indiscriminado de produtos químicos tóxicos, doenças e destruição de habitats. Dessa forma, as consequências causadas pela poluição luminosa poderão contribuir para levar grande parte dessa classe à extinção.

A iluminação de carros, prédios e postes de luz está impedindo o crescimento e a postura de ovos por sapos, de acordo com um novo estudo.
Anfíbios estão criticamente ameaçados de extinção. Foto: Reprodução

As luzes artificiais alteraram o ambiente noturno em um quinto da superfície terrestre, e espera-se que essa parcela aumente rapidamente nos próximos anos.

Apesar das recentes descobertas, ainda sabe-se pouco sobre como os animais cujos habitats foram profundamente alterados pela iluminação artificial estão sendo afetados.

O estudo é resultado de uma observação de Kacey Dananay, aluna de pós-graduação do Case Western Reserve University College, na cidade de Cleaveland, nos Estados Unidos. Dananay começou a considerar o impacto de luzes artificiais enquanto investigava o efeito de substâncias químicas do sal das estradas em anfíbios locais.

Ela começou a trabalhar em um projeto com seu supervisor, o ecologista Dr. Michael Benard, no qual eles construíram tanques para observar os efeitos da luz constante nos sapos.

Conforme os sapos cresciam, presença ininterrupta de luz fez com que eles se comportassem de maneira estranha.

“Se continuássemos a expô-los à luz artificial, eles mudavam de comportamento para que ficassem mais ativos à noite. Eles também tinham um crescimento mais lento, cerca de 15% menor no final do experimento”, disse Benard ao The Independent.

A diminuição nas taxas de crescimento provavelmente foi resultado da ausência de descansos. “Graças à luz, eles ficaram sempre em movimento, então isso pode significar que eles queimaram mais energia e cresceram menos”, comentou o ecologista.

Também foi observado que os sapos preferiram depositar seus ovos em regiões mais escuras do tanque, sugerindo que os anfíbios estão tendo suas áreas de reprodução diminuídas em áreas sujeitas a iluminação constante.

Os resultados do estudo foram publicados na revista Proceedings of the Royal Society B.

Com a iluminação constante em quase todo o planeta, os pesquisadores agora estão preocupados em estudar a combinação entre outros fatores que comprovadamente estão levando tantos anfíbios à extinção.

“As populações de anfíbios estão sofrendo uma queda tão acentuada nos últimos 20 anos pois fatores estressantes estão interagindo entre si. Então contaminantes químicos podem tornar um animal mais suscetível a doenças, por exemplo”, explicou Benard. “Eu suspeito que a luz artificial também esteja fazendo isso.”

Muitas formas de iluminação artificial são essenciais, porém o Dr. Benard disse que há uma necessidade de reconsiderar as iluminações para fins estéticos, usada em edifícios e anúncios, a fim de minimizar os danos aos ecossistemas locais.

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