Lago Turkana, na África, pode desaparecer depois da construção de hidrelétricas

O Lago Turkana está localizado no Grande Vale do Rift, bem na fronteira entre a Etiópia e o Quênia. É o maior lago alcalino do planeta, e um dos “Grandes Lagos” africanos. Está na lista de Patrimônios Mundiais por desempenhar papel vital como escala para um grande número de aves migratórias — incluindo grandes bandos de flamingos cor-de-rosa —, além de servir como criadouro de hipopótamos e crocodilos.

Reprodução | Express

Recebeu apenas o status icônico há apenas 20 anos, quando a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) percebeu que o deslumbrante lago, com sua preciosa vida selvagem, corre o risco de desaparecer da face do planeta por causa da construção de uma represa. As belas águas em tons de verde correm o risco de se tornarem salgadas demais e tóxicas para as 300 mil pessoas que vivem às suas margens.

Os efeitos já estão sendo sentidos: a represa etíope e o processo de irrigação das usinas de açúcar já estão tendo “efeitos disruptivos” ao reduzir o fluxo de água no lago, e há planos de construção de mais duas hidrelétricas. Agora, o perigo não é apenas a poluição, mas a possibilidade de que ele seque completamente.

O conflito sobre os recursos hídricos tem sido há muito tempo uma causa potencial de agitação civil e até mesmo guerras em grande escala, à medida que os impactos da mudança climática são sentidos nos países áridos. A futura construção da barragem ao longo do rio Omo, o maior sistema fluvial etíope fora da bacia do Nilo que deságua no lago, ameaça atingir o povo e a vida selvagem que depende de suas águas.

Reprodução | Express

“Estamos preocupados que esses projetos tenham implicações nas comunidades locais que dependem do lago para a pesca e para seu sustento. A Etiópia está planejando duas novas barragens no rio Omo, o que só piorará a situação”, advertiu Guy Debonnet, especialista em conservação da UNESCO, em entrevista a jornal local.

A organização sem fins lucrativos International Rivers, que luta pela proteção dos rios, confirma que a represa Gibe III da Etiópia e a irrigação das plantações de açúcar reduziram o fluxo para o lago, e ainda alertam para o pior que está por vir.

“A Etiópia deve cancelar os planos que tem para construir mais duas barragens, Gibe IV e Gibe V, no rio Omo – esses projetos só vão exacerbar o risco de secar o lago”, diz a diretora da sede africana, Rudo Sanyanga. De acordo com ela, o lago deve encolher lentamente, reduzindo os locais de reprodução dos peixes e também se tornando muito tóxico para pessoas e animais beberem.

Reprodução

Na capital da Etiópia, Adis Abeba, nenhum impacto é sentido. Tanto é que as autoridades rejeitam as alegações, dizendo que seus estudos mostram que o fluxo do rio será regulado pelo represamento e assim estabilizará os níveis de água na região atingida pela enchente.

Mesmo com as negações por parte do governo, a influente União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) – consultora da UNESCO sobre questões de vida selvagem e guardiões da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas – pede por mais proteção para o local.

Peter Shadie, especialista em Patrimônio Mundial da IUCN, adverte: “O Patrimônio Mundial do Lago Turkana, no Quênia, corre grande risco de perder seus valores excepcionais se não for tomada imediatamente uma ação para reduzir os impactos da barragem Gibe III e impedir todos os outros desenvolvimentos prejudiciais”.

“As pessoas dependem do lago e é nossa responsabilidade coletiva mobilizar os recursos necessários para apoiá-los, protegendo o site”, completa. Os pedidos para que as autoridades quenianas sejam mais pró-ativas em relação às ameaças estão sendo feitos por uma organização que fala pelas comunidades locais.

Reprodução

Ikal Angelei, diretor da organização Friends of Lake Turkana, teme que as bacias hidrográficas subterrâneas e os pastos vitais para o gado sejam reduzidos, e que o governo queniano precisa ser “um pouco mais realista sobre o impacto”. “Enquanto o Quênia está planejando se beneficiar da compra do poder, temos que nos perguntar qual é o custo desse poder no ecossistema a longo prazo?”, finaliza.

Comente

Obrigado por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta.

Faça uma doação

Você Viu?

ir para o topo
Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com