Vídeos de maus-tratos estimulam aumento da crueldade contra animais

           
A polícia de Tokyo confiscou armadilhas, maçaricos e caldeirões usados para abusar de gatos | Foto: Asahi Shimbun
A polícia de Tokyo confiscou armadilhas, maçaricos, alicates e caldeirões usados para abusar de gatos | Foto: Asahi Shimbun

Defensores dos direitos animais no Japão, alarmados com postagens de vídeos mostrando abusos contra animais, estão pedindo por punições mais rígidas, já que a lei de proteção aos animais do país não abrange esse tipo de divulgação on-line ou os comentários encorajadores de indivíduos depravados que os acompanham.

Um desses posts recentes mostrava um gato preso em uma gaiola, sendo imerso em uma banheira de água borbulhante cheia de produtos de limpeza, e outro mostrava um gato sendo esticado ao extremo enquanto miava desesperado.

Pessoas desavisadas desenvolveram transtorno de estresse pós-traumático depois de clicar nas imagens ou assistir aos vídeos postados pelos autoproclamados “amantes de abuso de animais”, de acordo com especialistas em bem-estar animal.

Novas imagens geralmente resultam em uma enxurrada de comentários cruéis, por exemplo: “por que você não coloca o gato em um pote de água e depois o ferve?” ou “eu acabei de queimar as almofadas de todas as patas do gato e ele está miando bem alto.”

Um post que seja particularmente nauseante e violento pode gerar cerca de 1.000 comentários em apenas alguns dias. E supreendentemente, alguns deles demonstrando admiração, descrevendo as imagens como “divinas” e “artísticas”.

Akiko Fujimura, diretora da Nippon Society para a Prevenção de Crueldade contra Animais, enxerga uma crise se instalando em relação direta com a desumanidade de que os animais estão sendo vítimas nos posts online.

“Até as crianças podem acessar facilmente esse material violento em seus smartphones”, disse ela. “Algumas pessoas chegaram a ter PTSD (transtorno de estresse pós-treumático) depois de ver as imagens”.

Sempre que Fujimura se depara com alguma dessas crueldades em vídeo ou foto, ela avisa a polícia ou os operadores das redes sociais/sites onde elas apareceram.

Embora os responsáveis pelos sites e redes excluam voluntariamente as filmagens em muitos casos, novos vídeos são publicados rapidamente. Fujimura chama isso de “jogo de esconde-esconde”.

Ela expressou preocupação de que as pessoas que assistam a tais imagens “imitem o que é feito nelas apenas para se divertir”.

Um morador de Saitama cidade próxima de Tóquio no Japão, disse que começou a tratar gatos de uma maneira cruel depois que ele foi mordido por um deles e assistiu à cenas de abuso de animais online.

O homem admitiu ter matado e ferido vários gatos colocando fogo neles ou jogando água fervendo sobre eles. Ele postou vídeos de suas ações. O criminoso foi condenado por violação da Lei de Bem-estar e Gestão de Animais, no ano passado.

Manequim ilustra uso de instrumentos de tortura e crueldade contra animais apreendidos pela polícia |Foto: Asahi Shimbun
Manequim ilustra uso de instrumentos de tortura e crueldade contra animais apreendidos pela polícia |Foto: Asahi Shimbun

Em seu julgamento, ele disse que se sentiu encorajado a abusar dos gatos depois de ler vários comentários online, estimulando-o a “fazer mais!”

A lei de proteção aos animais do país estipula um prazo máximo de prisão de dois anos ou uma multa de até 2 milhões de ienes (cerca de 69 mil reais) a quem matar ou ferir cães, gatos e outros animais domésticos.

A Agência de Polícia Nacional informou que contabilizou 68 casos de suspeita de violação da lei envolvendo 76 pessoas, no ano passado, o maior número desde o início da apuração dessas infrações em 2010.

Um grupo multipartidário de legisladores está trabalhando em uma revisão da lei que imponha penalidades mais duras para o abuso de animais.

No entanto, os usuários que enviam ou divulgam esses vídeos na internet não são abrangidos pela lei atual ou pela revisão dela.

Uma fonte ligada a investigação na província de Osaka falou sobre a dificuldade que polícia encontra para prender os infratores.

“As imagens geralmente não mostram quem fez ou postou o vídeo, não vemos pessoas nessas filmagens, apenas o ato do abuso dos animais”, disse a fonte. “Isso dificulta a identificação dos abusadores.”

As questões se tornam ainda mais complicadas porque os vídeos de abuso de animais não estão incluídos na lista da Associação da Internet Segura que inclui o Yahoo Japan Corp. e outras empresas de serviços online que se responsabilizam por eliminar materiais de conteúdo ofesivo com base em pedidos de usuários.

Isso acontece porque as imagens não são classificadas como “material ilegal”, como pornografia infantil e informações sobre drogas, ou como “dados prejudiciais”, como imagens de cadáveres.

Um oficial da associação disse que “imagens e vídeos de abuso de animais poderiam ser adicionados à lista se os pedidos para retirá-los do ar aumentassem”. A associação recebeu 100 pedidos sobre imagens mostrando crueldade com animais somente em abril.

Katsuhiro Ueda, advogado e membro da Associação de Advogados de Osaka, especialista em questões de direitos animais, disse que regulamentações mais rigorosas sobre vídeos de abuso de animais estão muito atrasadas.

“Enquanto a atitude a ser tomada em relação aos vídeos que mostram abuso de animais depender dos prestadores de serviços ou de operadores de sites, significa que os infratores estão livres para fazer o que bem entenderem”, disse Ueda. “A divulgação de tais vídeos e o ato mostrado neles são crimes. Não há justificativa para isso, mesmo sob o princípio da liberdade de expressão ”.

“Novas e mais severas restrições são urgentemente necessárias contra a publicação de imagens e vídeos ofensivos que possam inspirar outras pessoas a cometer crimes semelhantes”.

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