Supermercados vendem frango com níveis recordes de superbactérias

           

Os resultados são preocupantes porque a resistência aos antibióticos entre os animais pode facilmente afetar a resistência dos humanos, fazendo com que medicamentos vitais não tenham eficácia contra doenças graves.

Foto: Reprodução, The Guardian

A Food Standards Agency, que testou uma grande amostra de frangos de varejistas, informou “proporções significativamente maiores” nos últimos 10 anos em casos de campylobacter, um patógeno perigoso que é resistente aos antibióticos frequentemente usados para esse tratamento.

“Esta pesquisa oferece evidências de que o campylobacter de AMR [resistente a antimicrobianos] é encontrado em galinhas frescas inteiras vendidas no varejo do Reino Unido”, disse a agência.

Em 2014, o The Guardian revelou altos níveis de infecção por campylobacter no frango do Reino Unido e a presença da superbactéria MRSA na carne de porco vendida na região.

A FSA também observou que a proporção de galinhas infectadas com campylobacter que mostraram resistência a antibióticos importantes, neste caso, a ciprofloxacina, “aumentou significativamente” comparada a uma pesquisa anterior de galinhas vendidas no varejo há uma década.

De acordo o The Guardian, mais de quatro mil amostras foram testadas e amostras de números menores com infecções por campylobacter foram testadas mais de uma vez para analisar se continham bactérias resistentes aos principais antibióticos.

A resistência à ciprofloxacina foi identificada em mais de metade das amostras de uma forma de campylobacter testada, 237 em 437 apresentaram campylobacter jejuni e quase metade (52 de 108) de outra cepa tinham Campylobacter coli.

Os resultados foram divulgados por especialistas para mostrar que o uso de antibióticos em animais explorados em fazendas dissemina bactérias resistentes, que podem ser nocivas à saúde humana.

“É escandaloso que [regulamentos governamentais] ainda permitam que as aves sejam medicadas em massa com antibióticos de fluoroquinolona. Há 20 anos, um relatório da Câmara dos Lordes dizia que isso devia ser interrompido. Até mesmo os EUA proibiram a prática há mais de 10 anos devido à evidência científica. Então, por que as autoridades britânicas e europeias ainda se recusam a agir?”, questionou Cóilín Nunan, conselheiro científico da Aliança para Salvar Nossos Antibióticos.

O campylobacter pode provocar envenenamento alimentar grave e morte. As cepas resistentes aos antibióticos usadas contra elas são ainda mais perigosas, já que sua propagação significa que mais pessoas – e potencialmente bois e vacas – devem ser tratadas com antibióticos como um último recurso.

Os médicos receiam que o uso dessas “armas”  as torne também ineficazes, fazendo com que as pessoas fiquem indefesas contra os germes que já haviam sido derrotados. Por esse motivo, a ênfase na medicina humana na maioria dos países desenvolvidos foi alterada na última década para prevenir a disseminação de doenças.

Mais de metade dos antibióticos usada em todo o mundo é administrada a bois e vacas, muitas vezes para bandos inteiros ou rebanhos, independentemente do número infectado. Em alguns países, eles são distribuídos constantemente para aumentar o crescimento dos animais. Muitos cientistas concluíram que os animais explorados em fazendas são uma das principais causas de resistência aos antibióticos, o que parece ser confirmado pela FSA.

Os esforços para diminuir o uso de antibióticos nas fazendas, instado pela Organização Mundial da Saúde e outros grupos, têm sido lentos para obter efeitos enquanto o problema parece aumentar.

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