A abolição da escravatura "moderna"

           

abolicao
Alguns anos antes da abolição da escravatura no Brasil em 1888, conforme o ambiente social e contexto histórico, muitas pessoas talvez se chocassem e até achassem um absurdo alguém propor o fim da escravidão dos negros, o fim das senzalas, dos quilombos, do pelourinho e defender que a cor da pele não servisse de motivo para que seres sensíveis não tivessem direitos, fossem desrespeitados e feridos em sua dignidade.
Hoje, em pleno século XXI o caminho que está sendo percorrido para a abolição da escravatura animal passa pelo mesmo discurso teórico e embasamento moral. Tal como o racismo ou o sexismo, o especismo (preconceito contra espécie) tem a mesma matriz discriminatória, pois procura minimizar os interesses semelhantes e vontades de uns baseando-se em aspectos irrelevantes como a aparência e formatação física. Melhor não pensar que os animais sentem e sofrem já que é conveniente aos humanos permanecerem em sua zona de conforto, usando e abusando cruelmente de seres indefesos transformados em produtos e objetos de consumo.
Hoje animais/mercadorias/escravizadas movimentam a economia brasileira e mundial assim como humanos/mercadorias/negros movimentavam no passado a economia colonial e o comércio internacional. Peças humanas e animais transformados em números e cifrões, pouco importando se os gemidos e a angústia que provinham ontem das masmorras e das senzalas hoje vem das granjas e dos galpões.
Mas o mundo está mudando e não é a toa que depois da Declaração de Cambridge sobre a Consciência Humana Animal, em 2013 em que renomados cientistas de cinco áreas da Neurociência atestaram a senciência dos animais, alguns países começaram a alterar o estatuto jurídico destes, transformando os mesmos em sujeitos de direitos e não mais apenas em seres moventes vinculados à posse ou propriedade humana.
Nesse sentido é que estamos propondo o fim dos “pelourinhos” e das “senzalas” modernas, representados hoje pelos matadouros, pelas granjas ou por qualquer espaço ou forma que submeta seres sensíveis e inteligentes à prisão, à crueldade e à perda do bem maior que possuem: a VIDA.
Diferente do passado, agora a “Lei Áurea” acontece de modo singular, quando alguém decide não mais consumir e contribuir com os produtos e meios desse sistema escravocrata! Nesse momento ele se torna um abolicionista!

Comente

Comunicar erro

Obrigado por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta.

Faça uma doação
               

Veja Também

ir para o topo