Leite de origem animal: o que o marketing nunca irá mostrar nos bastidores

           

Esse post consiste em mostrar aos leitores a realidade do consumo de leite de origem animal (mesmo em formas de queijo, iogurte, requeijão, diet, light, semidesnatado, pasteurizado e entre outras variedades) que o marketing dessa indústria esconde, desmistificar as falácias da medicina vinculada ao agronegócio, os malefícios que causa à saúde humana, os impactos ambientais, o equívoco do “bem-estar animal” de “vaca feliz” e o sofrimento de animais explorados por uma industria voltada exclusivamente para atender os desejos humanos. Todos os dados e afirmações foram comprovados cientificamente por pesquisas de coorte (estatísticas), resultados clínicos/patológicos de hipersensibilidade ao leite de origem animal assim como doenças crônicas resultadas ao consumo de laticínios animal.

Leite animal e saúde humana

Cerca de 70% dos adultos possuem sintomas de intolerância devido ao consumo de laticínios animal.

Existe uma diferença entre intolerância à lactose e APLV (Alergia a Proteína do Leite
da Vaca ou de outro animal).

Intolerância à lactose: é a dificuldade do organismo absorver o açúcar do leite (lactose) devido a diminuição ou ausência a lactase (enzima que digere a lactose). Muitas das vezes é percebida essa intolerância devido a diarreias prolongadas ou doenças inflamatórias intestinais. Dentre os sintomas, estão: diarreia, cólicas, gases e distensão abdominal podendo estender por horas.

Alergia à Proteína do Leite Animal: é a reação do sistema imunológico às proteínas do leite de origem animal. Um dos sintomas mais comuns, estão: náuseas e vômitos, cólicas, diarreia, dor abdominal, prisão de ventre, presença de sangue nas fezes, refluxo, sintomas cutâneos (urticárias, dermatite atópica de moderada a grave), problemas respiratórios (asma, bronquite e renite), reação anafilática, baixo ganho de peso e crescimento. Esses sintomas podem se prolongar por horas, dias e dependendo da gravidade dura o mês inteiro.

É importante sempre verificar nos rótulos dos alimentos se contém proteínas do leite, pois nem tudo que está escrito “sem lactose” não quer dizer que o alimento seja livre de proteína animal.

Você pode ter intolerância à lactose ou proteína animal e não saber disso. Mas saiba que o leite de origem animal não é essencial. É essencial apenas para o lucro do agronegócio, essencial para o filhote do animal, mas nunca foi para a saúde humana, por que o corpo humano é incapaz de absorver o cálcio do leite animal, que também eleva o ácido do pH. O pH do leite animal varia entre 6,6 e 6,8, sendo assim seria necessário 20 partes alcalinas de alimentos para neutralizar apenas uma parte ácida no sangue. Para combater o ácido alto do leite o nosso organismo retira o cálcio dos ossos para implicar numa proteção de combate a alta acidez, fazendo com que todo esse cálcio do leite seja expulso pela urina. Para o nosso organismo isso é um tamanho prejuízo, pois perdeu todo o cálcio dos ossos e não absorveu o cálcio do leite animal. Sendo assim, o cálcio do leite animal não ser absorvido e circulando livremente pelo sangue, gera futuramente complicações como a artrose, cálculos renais e osteoporose. Dentre outros fatores de risco, segundo pesquisas científicas, o leite animal oferece mortalidade precoce, inflamações crônica, neuro degeneração, sistema imunológico baixo, aumento de nível glicêmico no sangue, fraturas ósseas na fase adulta e também está relacionado a anemia ferropriva na infância.

A doença ferropriva na infância, está assemelhada com a caseína e proteínas do soro do leite que agem como inibidores de absorção do ferro. Quanto mais cedo é introduzido ao bebê humano o leite animal, maiores as chances de deficiência de ferro. Médicos pediatras e nutricionistas recomendam não substituir de modo algum o leite materno humano por de um leite de origem animal.

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Nós humanos, somos a única espécie que mesmo se tornando adulto persistimos em tomar leite de um outro animal.

O seu leite contém hormônios e a vaca não é feliz

Há uma imoralidade de pensar que temos o direito de manipular um animal as nossas custas.

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Há quem pense ou mesmo os ditos “vegetarianos” que consomem leite animal, que a vaca ou outro animal, se bem tratado é um “animal feliz” que consentiu receber ordenha de um humano por “livre vontade”. Mas a vida de um animal que recebe exploração diária para a produção de leite é tudo, menos feliz. Vacas são animais sencientes capazes de sentir que o seu leite está sendo roubado e que o seu filhote ficou sem o seu alimento.

A vaca ou outro animal não é feliz em saber que sofreu inseminação artificial (chamamos de estupro) para gerar um filhote diversas vezes por ano, onde trará consequências a sua saúde como possíveis tumores, mastite e estresse, depressão devido aos processos invasivos. Não são felizes por terem seus bebês separados delas. Bebês machos que nascem da vaca serão confinados em seguida, em uma baia de pouco espaço para que não tenho movimento algum, assim sua musculatura fica enfraquecida e branca por anemia pronta para morrer e ser destinado ao comércio vendido como uma iguaria: baby beef ou carne macia de vitela.

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Ao consumir o leite animal, você não coloca só a sua saúde em risco como também o sofrimento de um animal. Segundo pesquisas científicas, desde a década de 80 foi desenvolvido um hormônio sintético pela empresa Monsanto (a mesma responsável que compromete a saúde humana e o meio ambiente pelo uso de agrotóxicos), chamado hormônio somatotropina bovina recombinante (Recombinant bovine somatotropin – rBST). Este hormônio foi aprovado pela Vigilância Sanitária dos Estados Unidos (Food and Drug Administration – FDA) em 1993. A resposta à utilização de rBST em vacas leiteiras é de um aumento de 10 a 15% na produção de leite. Quando o rBST é injetado nas vacas o IGF-1 aumenta no leite. O IGF-1 (Fator de Crescimento Insulínico) é um componente natural de todo leite, produzido pelas glândulas mamárias, envolvido no crescimento normal e desenvolvimento durante à infância, mas nos adultos isto pode promover o crescimento anormal das células e levar a alguns tipos de câncer, como de mama e gastrointestinal. Algumas pesquisas mostram que pessoas que bebem leite de vaca tem mais IGF-1 na corrente sanguínea do que as pessoas que não bebem.

No animal, o uso do rBST está relacionado a dor desnecessária, sofrimento e angústia, aumento de extremidades (patas), mastite (inflamação da mama), distúrbios reprodutivos e outras doenças. Por volta do ano 2000, o uso do rBST foi banido na Europa, Japão, Austrália, Nova Zelândia e Canadá. Atualmente ainda é permitido no Brasil, bem como nos Estados Unidos. Devido ao uso do hormônio rBST, as vacas tendem a desenvolver mais mastite (inflamação da mama). A mastite apresenta-se nas formas clínica e subclínica. Na primeira, os sintomas são: secreção do leite com grumos, pus ou um aspecto aquoso; tetas e glândulas mamárias avermelhadas, duras, inchadas, doloridas e quentes. Outros sintomas característicos são febre, falta de apetite e morte quando há o agravamento da doença. Na forma subclínica, somente testes especiais podem detectar a doença. No tratamento das mastites são administrados antibióticos.

Uso de antibióticos e a resistência de bactérias

Um estudo feito em 2007, no Brasil, concluiu que a presença de resíduos de antibióticos nos leites produzidos no país é preocupante, e indicam a presença de um perigo químico associado a esse produto. Estes resíduos no leite podem causar vários efeitos indesejáveis, como seleção de cepas bacterianas resistentes no ambiente e no consumidor, hipersensibilidade e possível choque anafilático em indivíduos alérgicos a essas substâncias, desequilíbrio da flora intestinal, além de efeito teratogênico (anomalias e malformações).

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A Leucose Enzoótica Bovina (Bovine Leukosis Infection – BLV) enfermidade infectocontagiosa de origem viral que vem contaminando grande parte dos rebanhos da indústria leiteira, essa enfermidade se caracteriza por uma neoplasia do tecido linfoide. A prevalência desta infecção varia em alguns países, sendo 47,8% nos Estados Unidos, 28,6% na Bélgica, 19,7% no Canadá, e no Brasil com a maior prevalência nos estados de São Paulo 36,6%, Rio de Janeiro 54,3%, Minas Gerais 28,4% e Rondônia com 23%.

O BLV é eliminado no colostro e no leite das vacas infectadas. A grande maioria dos animais infectados não desenvolve linfossarcoma, linfocitose persistente ou qualquer outro sinal clínico, permanecendo portadores assintomáticos do vírus. As maiores taxas foram encontradas nos bovinos com finalidade de exploração leiteira. Evidências mostram a relação entre BLV e o risco de câncer em humanos.

Impactos ambientais relacionado à indústria do leite

A indústria de laticínios gera resíduos sólidos, líquidos e emissões atmosféricas passíveis de impactar o meio ambiente. Os efluentes líquidos é um dos principais responsáveis pela poluição causada pela indústria de laticínios. O soro é descartado junto a outros efluentes contaminando mananciais e lagos, sendo cem vezes mais poluente que o esgoto doméstico. Além disso, a indústria de laticínios tem uma grande abrangência no processo de derivados (manteiga, iogurte, danones…) onde o leite passa por clarificação e contém resíduos de detergentes e desinfetantes, hidróxido de sódio, ácido nítrico e hipoclorito de sódio. Esse método de limpeza, segundo dados da Universidade de Viçosa de Minas Gerais, consiste de um número de lavagens sucessivas visando à remoção dos sólidos do leite, gorduras e óleos nas paredes dos equipamentos e das tubulações, como consequência gera poluição contaminando mananciais, lagos e possíveis intoxicações aos trabalhadores locais.

A escassez da água também está relacionada à indústria leiteira, pois para produzir um litro de leite são necessários 868 litros de água desde o primeiro até o processo final. Segundo dados de pesquisa, estima-se em média 541 litros de consumo de água para realizar a limpeza diária da sala de ordenha, a manutenção de utensílios e equipamentos no setor bovino do leite. Pesquisas também revelam o desperdício numa indústria de laticínio localizado na Zona da Mata mineira, onde é utilizado cerca de 4.000 litros por dia na limpeza da sala de ordenha. Essa análise feita pelo ABEPRO, constatou que não há nenhum método de controle para prevenir o desperdício de água. Além disso, o manejo de forma agressiva provoca um maior consumo de água para a limpeza do local, pois animais estressados defecam em maior frequência na sala de ordenha causando problemas de contaminação no leite.

Além do desperdício de água, a pecuária é o principal setor responsável pelo desmatamento na Amazônia Brasileira. A pecuária bovina é a atividade mais fortemente correlacionada com desmatamento para os municípios da Amazônia. Na análise que inclui apenas a pecuária bovina, encontrou-se um coeficiente de correlação de 0,7345 entre o número de cabeças de gado e o desmatamento. Observando-se as correlações, percebe-se baixa correlação entre a variável soja e o desmatamento. Isso sugere que a fraca correlação direta da soja com os processos de desmatamento implica o pouco impacto desse tipo de cultivo sobre a ocupação de novas áreas na Amazônia. Observando-se, porém, as correlações entre soja e arroz (0,6462) e soja e milho (0,7397) e entre arroz e desmatamento (0,3562) e entre milho e desmatamento (0.2235), vê-se que soja e desmatamento podem estar ligados de forma indireta. Arroz e milho são culturas associadas ao processo de implantação da cultura de soja em áreas novas. Observações de campo feitas pelos autores demonstram que é comum plantar-se arroz em áreas novas por aproximadamente 3 anos antes de se iniciar a produção de soja.

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Anos e anos a medicina vinculada ao agronegócio tenta nos enfiar goela abaixo que o consumo de leite animal é imprescindível na alimentação humana, mas ao longo do tempo as evidências científicas mostram a realidade de uma população desenvolvendo doenças crônicas, baixa imunidade, cansaço e falta de concentração devido ao consumo do leite animal. É de extrema urgência que esse assunto necessita ser discutido em universidades, em hospitais e clínicas levando a população ter o acesso à informação. É preciso se contrapor através dessas evidências científicas contra esse marketing travestido de saúde nutricional, desmistificando a inverdade que é “impossível de conseguir nutrientes em alimentos vegetais”.

Substituir o leite de origem animal ou tornando-se vegano(a) é um ato do bem em prol da vida dos animais, da sua saúde e do meio ambiente.

Referências:

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27383577 *Atualizado 2016

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27412694 *

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27255108 *

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27400451 Staphylococcus aureus in milk and meat.

http://ec.europa.eu/dgs/health_food-safety/committees/scientific/index_en.htm

https://www.drmcdougall.com/misc/2004nl/040200bovinepf.htm

http://www.scielo.br/pdf/cta/v27n2/30.pdf

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4212225/?tool=pmcentrez

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext pid=S0104-42302010000200025

Por Myla Veg – Ativista Vegana e estudante de Nutrição.
Para dúvidas ou sugestões, envie um e-mail para: natocadaraposavegan@gmail.com.

Leias mais textos sobre veganismo e nutrição no Na Toca da Raposa.

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