Cruel transporte marítimo de animais vivos é incentivado pelo governo brasileiro

           

Por Marcela Couto (da Redação)

Foto: Reprodução/Beef Point
Foto: Reprodução/Beef Point

Quando o assunto é crueldade, a indústria agropecuária se destaca pelo massacre de bilhões de animais todos os anos. Mas, infelizmente, o sofrimento desse seres tão explorados não se limita aos matadouros, passa também pelo confinamento extremo, maus-tratos, reprodução forçada, administração de hormônios e várias outras formas de abuso. Uma delas, no entanto, ainda é pouco mencionada, mas é igualmente hedionda: o transporte marítimo de animais vivos.

A despeito da tortura sofrida pelos animais embarcados em navios, atualmente, há um projeto em andamento no Ministério da Agricultura para a elaboração de guia nacional de exportação de bovinos vivos, que teoricamente regulamentará práticas de bem-estar (animal).

No próximo dia 27/07, em Brasília, será realizada a apresentação dos estudos e resultados obtidos do chamado Projeto Transporte Marítimo de Bovinos.

O horror dos navios

Bois, ovelhas, porcos e outros animais são transportados por longas distâncias em condições terríveis, “exportados” como se fossem objetos sem valor. Durante o trajeto que chega a quase um mês, além da fome e estresse, é comum que os animais adoeçam e alguns morram.

No vídeo abaixo, de uma campanha feita por ONGs em prol dos animais do Reino Unido chamada “Handle with Care”, é possível acompanhar uma investigação secreta global que revela os horrores do transporte de animais vivos, inclusive no Brasil. As cenas mostram as condições deploráveis dos animais durante viagens ao redor do mundo, sofrendo com maus-tratos, fome e sede, temperaturas extremas e sem qualquer higiene, para serem assassinados assim que chegam ao seu destino.

Em outubro de 2015, um navio de bandeira libanesa que carregava 5 mil bois vivos afundou no cais do porto de Vila do Conde, em Barcarena, nordeste do Pará, matando todos os animais. Na época, o deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) declarou que “cerca de 10% dos animais que embarcam no Brasil não conseguem chegar ao destino.” Além disso, ele se posicionou contra a prática: “A embarcação inadequada e desumana dos animais é extremamente lucrativa, com consequências graves, penas relativamente pequenas e poucos processos instaurados”.

naufragio

O transporte de animais vivos é feito para diversos países, muitas vezes para que sejam assassinados segundo as regras dos matadouros locais e sua carne possa ser vendida com selo de “procedência especial”. A fiscalização falha ainda deixa os animais extremamente vulneráveis aos matadouros clandestinos quando desembarcam.

Os números desse holocausto

Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o Brasil exportou mais gado vivo nos dois últimos meses do ano, enviando 78.264 cabeças para o exterior em maio e junho. Isso significa uma alta de 30,2% em relação ao mesmo período do ano passado, informa a BeefPoint. Os animais são enviados principalmente para a Venezuela, mas também para a Turquia, Líbano, Iraque e, mais recentemente, Egito.

Foto: Reprodução/ O Imparcial
Foto: Reprodução/ O Imparcial

Enquanto a cruel exportação de animais vivos cresce, sua necessidade é questionada por especialistas. “É necessário transportar animais vivos por longos períodos para serem mortos em outros países? A resposta é não. Não há motivo para enfrentarem dias de viagem, cerca de 3 semanas no caso de paises do Oriente Médio, para serem mortos em seu destino.” diz a doutora em comportamento e bem-estar animal Paola Muretti Ruda. “O mais importante é que, do momento que estes bois entram no navio, eles não são mais brasileiros e estão sobre responsabilidade dos países que os importam. Desta forma, estes animais não estão sob jurisdição brasileira e, portanto, nossas leis de proteção não são mais aplicáveis”, finaliza.

e sejam ainda mais explorados.

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