Por que a acusação de que artigos antiveganos "foram pagos pela indústria lacto-frigorífica" não é um argumento válido

           

Às vezes aparecem artigos ou notícias que tentam criticar ou encontrar falhas no veganismo – mas geralmente não conseguem -, e são respondidos por algumas pessoas com acusações de que foi escrito ou financiado pela indústria lacto-frigorífica. Tudo bem seria se, além dessa especulação sobre o texto ter sido patrocinado por exploradores de animais, viessem contra-argumentos propriamente ditos. Mas em muitos casos a pessoa só traz a acusação, no sentido de dizer que “Este artigo é pago por pecuaristas e frigoríficos, logo é errado e inválido”, e vai embora. Vale mostrar, então, por que essa postura não é uma resposta de qualidade aos opositores do veganismo.
Esse tipo de argumento cai na falácia do envenenamento do poço, que consiste no falacioso apresentar informações que depreciam o outro argumentador e alegar que, por causa delas, nada do que ele fala deve ser levado em consideração. Por meio da acusação, tacha-o de incapaz de dizer qualquer coisa argumentativamente válida, qualquer informação que possa ser comprovada como verdadeira ou pelo menos seja digna de discordância. Ataca a pessoa para não ter que atacar o argumento dela – o que caracteriza o envenenamento do poço como uma variante da falácia de desqualificação pessoal, conhecida formalmente como ad hominem.
Por exemplo, a pessoa A diz que nenhum argumento de B é válido simplesmente porque B trabalhou numa fazenda de gado. E a partir dessa acusação, A não se empenha em refutar nenhum dos argumentos de B, já que eles são considerados “errados” por causa do passado de B, ou seja, da pessoa que emite tais argumentos – e não se prova que estes estejam errados.
É basicamente isso que é feito quando alguém acusa, por exemplo, uma notícia que fala de “10 alimentos que parecem vegetarianos mas não são” de ter sido “patrocinada/paga pela Friboi” e, com isso, tacha-a de errada sem lhe dirigir nenhuma refutação. Por atacar o argumentador – alegando que ele teria sido pago por frigoríficos e, por tabela, vendido sua consciência ética – e deixar intacto o argumento – mesmo que o ache inválido -, é uma postura de falácia.
E isso é prejudicial tanto por abrir a brecha para que opositores do veganismo tachem os veganos de “falaciosos” como deixar os argumentos antiveganos intocados, sem uma resposta decente que lhes aponte os erros e inadequações. E quando as alegações antiveganas não são devidamente respondidas, as pessoas leigas, que não conhecem suficientemente o veganismo e os Direitos Animais, ficam suscetíveis a serem enganadas por elas e convencidas a crer que o veganismo é um “absurdo”.
Fica então o conselho: quando você se deparar com uma notícia que tenta depor contra o veganismo, evite simplesmente acusá-la de ser “patrocinada pela Friboi” ou algo parecido. Procure, ao invés, provar que a matéria erra em seus argumentos, manipula e não corresponde à realidade. Use em sua contra-argumentação provas factuais em contrário ou apontamento de falácias. Será isso o que vai desacreditar o conteúdo antivegano, e não a acusação crua de publicidade oculta e defesa de interesses. Além disso, pense em como a falácia do envenenamento do poço é prejudicial à reputação dos veganos.

Comente

Obrigado por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta.

Faça uma doação
               

Veja Também

ir para o topo