“Os animais contam com você para falar por eles”, diz escritor e ativista vegano

           

Por Antonio Pasolini (da Redação)

Reprodução / Facebook
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Como estimular as pessoas a serem mais compassivas em relação aos animais não-humanos? Esse é o tema principal de um novo livro chamado Teaching Compassion: On Behalf of the Animals (tradução livre: Ensinando Compaixão: Pelo Bem dos Animais). Escrito por Robert S. Caine, um ativista baseado em Toronto no Canadá especializado em filosofia e educação humanitária, o livro acabou de ser publicado e é direcionado a qualquer pessoa que queira viver uma vida mais pacífica. É também direcionado para educadores que queiram introduzir modos mais humanizados de ensino e aprendizado. Em entrevista exclusiva à ANDA, Caine fala sobre como podemos produzir mais resultados com o nosso ativismo vegano.
ANDA – Qual é a forma eficiente de passar uma mensagem compassiva pelos animais no mundo em que vivemos hoje?
Robert S. Caine – Não existe apenas uma forma eficaz de transmitir essa mensagem. Podemos convencer algumas pessoas a viver uma vida mais compassiva com paralelos de opressões entre vários grupos de humanos e a opressão contra animais, como a escravidão, a opressão das mulheres e a homofobia. É uma abordagem desafiadora porque algumas pessoas rebatem dizendo que não querem ser comparadas a animais. Outras pessoas precisam de um argumento que as afete de forma mais pessoal e nesse caso o fator saúde pode ser útil. É fato científico que uma dieta a base de plantas é mais saudável que uma dieta com produtos animais. Produtos animais alimentam células cancerígenas, contribuem para pressão alta e doença cardíaca, além de contribuir para outras doenças como diabetes, AVC, doenças intestinais e do sangue, além de outras. Comida a base de planta fortalece o sistema imunológico e alimenta o corpo com nutrientes essenciais para boa saúde. Isso é um fato científico comprovado. Eu acho que todo mundo que quer passar a mensagem de compaixão pelos animais precisa considerar seu interlocutor. Use métodos que provocarão uma reação. Mas lembre-se que algumas pessoas simplesmente não vão alterar seus modos de pensar ou viver. Nós temos que encarar o fato que muitas pessoas no mundo são narcisistas e pensam apenas em seus desejos e prazeres. Essas são as mais difíceis de alcançar.
ANDA – Quando os veganos falham na forma como espalham a mensagem?
Robert S. Caine – Muito veganos, como eu, são muito fervorosos em seu amor pelos animais e nossa necessidade desesperada de educar os outros sobre o holocausto dos animais. E de fato, os animais são vivendo um holocausto muito real, especialmente aqueles presos e torturados em fazendas de produção, matadouros, laboratórios de pesquisa e outros locais onde os animais são explorados para o uso humano. Então, como você pode ver, é quase impossível conter minha paixão. Mas em termos de falhas de transmitir a mensagem de compaixão, eu acho que a abordagem agressiva que alguns veganos e ativistas pelos direitos dos animais adotam quando tentam convencer as pessoas sobre as atrocidades contra nossos amigos animais pode atrapalhar. Se abordarmos um comedor de carne com frases acusatórias e fazê-los sentir-se culpados sobre seu comportamento, a tendência natural da maioria das pessoas é se tornar defensiva.
A forma oposta que os veganos falham é através do silêncio. Eu acredito piamente que veganos e aqueles que tem compaixão pelos animais precisam dizer suas opiniões, mas não de forma agressiva. É muito aceitável que um vegano, quando convidado a uma festa, deixe o anfitrião saber que ele ou ela é vegano e gostaria de contribuir um prato para a festa. Talvez o anfitrião fique ofendido, talvez não, mas pelo menos a mensagem foi transmitida de forma respeitosa. Quando nós que lutamos pelos direitos dos animais permanecemos em silêncio, esse silêncio carrega as mesmas repercussões negativas do que quando as pessoas ficam em silêncio diante de comentários racistas ou homofóbicos. Nós que temos consciência do holocausto de bilhões de animais não podemos ficar em silêncio, nós temos que falar em seu nome. É um desafio manter o equilíbrio, mas se damos nossa opinião de forma respeitosa, haverão pessoas que nos escutarão e quem sabe evoluir para um estilo de vida compassivo.
Por fim, é absolutamente crucial que deixemos que as pessoas evoluam em seu próprio ritmo. Ninguém pode forçar ninguém evoluir da noite para o dia. Muitos de nós primeiro se tornaram vegetarianos e depois evoluíram para o veganismo. Nós precisamos permitir as pessoas o mesmo processo de evolução. Eu acho que educação é essencial, e essa pode ser feita de várias formas, de visitas à santuários a um bom livro sobre sofrimento dos animais e veganismo. E às vezes a única coisa que podemos fazer é ser exemplos vivos e mostrar que não estamos perdendo nada com nosso estilo de vida. Levar alguém para um ótimo restaurante vegano ou oferecer um jantar vegano é uma ótima forma de ensinar que há muito para se comer sem causar mal aos animais.
ANDA – Como os educadores podem abordar a questão?
Robert S. Caine – Através da educação humanitária. Dependendo do nível escolar, é possível implementar várias atividades de sala de aula onde os estudantes tem a oportunidade de pensar sobre tópicos relacionado aos direitos dos animais. No meu livro eu proponho diversas atividades para educadores engagar os alunos no processo de pensar sobre nossas relações com não-humanos. Especificamente, uma atividade que desafia os estudantes a pensar sobre nossos atributos, características, necessidades e desejos compartilhados com outras espécies. Assim os estudantes podem se dar conta que tanto humanos e não-humanos são capazes de sentir dor e sofrer, e assim quem sabe eles conseguem desenvolver empatia pelos não-humanos. Para estudantes mais maduros, organizar debates, discussões, painéis e mesmo pedir que eles escrevam ensaios sobre várias questões tais como comer animais, cobaias em pesquisa médica, usar roupas feitas de peles de animais e explorar animais para entretenimento. A internet tem muitos recursos e dicas sobre como integrar esses tópicos no currículo.
ANDA – Quais são um dos maiores desafios para promover o veganismo?
Robert S. Caine – A maioria das pessoas, em qualquer cultura, parece resistente à mera consideração de uma dieta a base de plantas. Na minha opinião veganismo é a postura filosófica mais poderosa que alguém pode assumir em termos de vida compassiva. Eu nunca encontrei um argumento válido contra o veganismo. Eu não acredito que isso exista. É muito difícil promover o veganismo porque as pessoas foram endoutrinadas a comer animais desde criança. Na América do Norte, as indústrias da carne e do laticínio tem muita influência sobre nossos sistemas educacionais. Elas fornecem gratuitamente materiais para escolas, cujo objetivo é fazer uma lavagem cerebral nas pessoas para que elas acreditem que comer produtos derivados de animais é parte de um comportamento social normal. Eu acho que a coisa mais difícil de se pedir a qualquer pessoa é mudar sua dieta. Elas são muito ligadas a ela e não vão desistir facilmente de seus pratos com animais. Mas hoje temos muitas opções veganas e servir uma versão vegana de um prato popular é uma forma de mostrar que as pessoas podem comer seus pratos favoritos sem causa dano à vida alheia.
ANDA – Qual conselho você daria para o novo vegano altamente entusiasmado para espalhar o veganismo.
Robert S. Caine – Para começar, eles devem se manter firmes em suas convicções. Não deixe ninguém praticar bullying contra você. Não deixe seus amigos e família o ridicularizar. Se eles o fizer, deixe claro que você tomou uma decisão pessoal e que não vai forçar seu ponto de vista neles. Eu incentivaria novos veganos a se juntar a grupos veganos e de direitos dos animais locais para evitar possíveis sentimentos de isolamento e depressão pela falta de apoio dos amigos e da família. Participe de eventos na sua comunidade focados em questões que importam para você. E, por fim, não desista: os animais contam com você para falar por eles.

Visite: Teaching Compassion.

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