Alce é morto por se aproximar demais de humano

           

Por Patricia Tai (da Redação)

Foto: Daily Mail
(Foto: Daily Mail)

Um alce que vivia no Parque Nacional Great Smoky Mountains foi assassinado por um “crime” que não cometeu, que foi o de ter se aproximado “demais” de um visitante. As informações são do Daily Mail.

Imagens do incidente mostram o fotógrafo James York sentado no chão na beira da estrada.

Primeiro o alce se aproximou e passou a roçar a sua cabeça na do homem  – pareciam movimentos como se quisesse demonstrar afeto. O fotógrafo se comportou passivamente, mantendo a cabeça baixa enquanto o alce esfregava a cabeça nele. Logo em seguida o animal começou a se agitar.

Essa atitude foi interpretada de maneira radical pelos humanos que tinham a vida do alce sob sua responsabilidade ou, em outras palavras, que tinham poder sobre a vida do alce unicamente e pelo simples fato de serem humanos.

Veio à tona a notícia que, dias após o incidente, o alce foi morto pelos guardas florestais que alegaram que isso foi necessário pois este animal “não seria mais capaz de ‘reaprender’ a ter medo de seres humanos”.

Imagens revelam que o alce só queria brincar. Foto: Daily Mail
Imagens revelam que o alce parecia queria brincar. (Foto: Daily Mail)

Ao saber do fato, York declarou ter ficado “triste e sem palavras”.

“Eu amo e respeito os animais, e é por isso que eu tiro fotos deles ao invés de caçá-los. Estou profundamente magoado com a perda de uma bela criatura que, a seu modo, estabeleceu uma ligação comigo. Eu presenciei o crescimento dele com o passar dos anos. Estou verdadeiramente desolado agora que ele se foi”, disse o fotógrafo em uma declaração, deixando subentendido que frequentava o local e já vira o animal outras vezes.

No momento do incidente, York disse que apenas procurou ficar calmo, apesar da situação, e continuou a agir de modo submisso, talvez pensando que o alce perderia o interesse e iria embora.

Ele sequer conseguiu tirar fotos do animal quando este ficou a centímetros de distância de seu rosto.

Segundo a reportagem, o alce permaneceu no local e tornou-se “mais e mais agressivo”, e que ele até mesmo chegou ao ponto de esfregar o casco no chão “como se estivesse prestes a atacar”.

De acordo com Molly Schroer, porta-voz do parque, o alce voltava àquela área em busca de comida, pois humanos costumavam alimentá-lo, e assim ele passou a  associar humanos com comida.

O alce procurava roçar a cabeça em York, comportamento que as autoridades do parque julgaram como "agressivo". Foto: Daily Mail
O alce procurava roçar a cabeça em York, comportamento que as autoridades do parque julgaram como “agressivo”. (Foto: Daily Mail)

Os guardas asseguraram York de que ele não fez nada de errado, e que foi o alce quem teria exibido comportamento agressivo gratuitamente. Eles informaram à reportagem que isso não é algo que o parque faz com frequência e que este alce é o primeiro a ser “eutanasiado” por eles.

York disse que não consegue assistir ao vídeo. “Toda a alegria se foi”.

Ele também afirmou que, se as fotos e o vídeo não tivessem sido muito divulgadas na Internet, a vida do alce poderia ter sido poupada.

York saiu do local e o alce se recusou a ir embora imediatamente. Foto: Daily Mail
York saiu do local e o alce se recusou a ir embora imediatamente. (Foto: Daily Mail)
O alce tenta pegar equipamentos do fotógrafo. Foto: Daily Mail
O alce tenta pegar equipamentos do fotógrafo. (Foto: Daily Mail)
O vídeo foi postado no YouTube   por Vince Camiolo, e se tornou viral. Posteriormente, Vince mandou o vídeo por e-mail ao fotógrafo, para mostrar a sua versão da história.
 

Agressivo?

Mais um animal inocente e inofensivo morre, vítima de uma conjuntura de ações humanas. A primeira, a de invasão de seu habitat por humanos, que se apoderam e se apropriam desse meio, onde é o animal não humano que passa a ser visto como um intruso e não o contrário. A segunda é a estranha mania dos humanos de conviver “não convivendo” com os animais não humanos. Eles sabem que esses animais vivem em determinados lugares – como nesse parque – e estabelecem com esses animais uma relação de amor e ódio, de fascínio e de pavor. Parece não haver interação possível – e nem seria necessário, uma vez que esses animais deveriam estar vivendo em paz e entre membros de sua espécie. Mas o fato de não poder haver essa interação parece credenciar os humanos para que não haja também o respeito.

As imagens não deixam negar que o animal não teve comportamento de fato agressivo. Ficou clara a tentativa do alce em não machucar o homem – seus gestos eram defensivos. A mera ação do alce em tentar pegar a bolsa do fotógrafo e os seus trotes mostram que ele até poderia estar tentando brincar (ou procurando alimento).  Por várias vezes ficou evidente que ele teve medo do homem – sobretudo quando este se levantou, e quando se aproximou com o carro, dois gestos tradicionalmente impositivos e covardes do suposto “poder” humano sobre os animais não humanos (estar de pé diante deles intimida; estar em posse de um automóvel, por si só, assusta, principalmente em se tratando de um animal selvagem).

Talvez uma segunda hipótese também não deixe de ser verdadeira. Pode ser que o alce tenha tido, sim, após algo que começou com uma brincadeira, um comportamento irritado ou iminentemente agressivo em resposta à presença dos humanos. Na verdade, isso nunca se saberá, e a fonte dessa informação, que era o alce, foi morta e levou consigo as suas angústias e os sentimentos secretos. O alce, que não tinha nome, nunca conseguirá revelar “a sua versão da história”.

Supondo-se que houvesse essa agressividade por parte do alce, ela seria seu absoluto direito, e não poderia ser motivo para que o mesmo tivesse sua vida estupidamente subtraída.

Por fim, cabe dizer que, por mais que o fotógrafo tenha se ressentido do fato, e com razão, tirar fotos de animais selvagens também é um incômodo a eles. É anti-natural, é uma invasão, uma câmera é um objeto estranho ao universo selvagem. Paira no ar uma pergunta: se os homens conseguirão desaprender a invadir o ambiente, a vida, os direitos dos animais não humanos.

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