Prefeito paga R$ 10 para munícipes para captura de cães em Santa Cruz do Arari (PA)

           

A população de Santa Cruz do Arari, no arquipélago do Marajó, no Pará, acusa o prefeito Marcelo Pamplona (PT) de pagar de R$ 5 a R$ 10 a quem capturar cães e colocá-los numa canoa para que sejam levados e desapareçam do município. Somente nos últimos dias 28 e 29 de maio, cerca de 300 cães foram supostamente exterminados. O caso foi apontado pelo morador da cidade, Aragonei dos Santos, 49, que, filmou com celular a “caçada” aos cães pela cidade e foi agredido porque ameaçou denunciar o caso. Ele teve três cães raptados. O prefeito confirmou a captura dos animais, negou o extermínio e afirma que a caçada deve continuar.

No município vivem cerca de 8.100 habitantes – segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e agora o homem passou a pior inimigo dos cachorros. No último dia 28, muitos moradores acordaram com latidos e choro dos animais. Nas imagens é possível ver homens e crianças laçando os cães e os arrastando pelas ruas da cidade. As cenas são chocantes. Bastante machucados, os cães são amordaçados e jogados dentro de duas embarcações chamadas rabetas. Alguns chegam a ser pendurados pelo pescoço e outros são agredidos.

Aragonei relata que naquele dia sentiu falta dos seus quatro cachorros e saiu a procura dos animais, quando se deparou com a perseguição aos cães. Ele foi informado por outros moradores que o prefeito estaria oferecendo dinheiro para quem capturasse os animais e dessem “um fim” a eles. “Foi quando eu tive a ideia de começar a gravar e fui atrás dos meus bichos”, comentou.

Ele ainda conseguiu salvar um dos seus cães. “Eles pegaram inclusive cadelas que tinham acabado de ter filhotes – alguns ainda nem abriram os olhos”, ressaltou. Uma das embarcações onde os cachorros foram despachados, segundo Aragonei, pertence à prefeitura de Santa Cruz do Arari. O rapaz contou que a caçada durou dois dias – sendo que no primeiro foram capturados 170 cães e no dia seguinte mais 140. Moradores disseram ter visto cães boiando no rio Mocouns, a 50 Km da sede do município.

Na última sexta-feira, 31, Aragonei foi agredido enquanto conversava com um morador na rua. “Ele me pegou por trás e começou a me bater, quase fico inconsciente. Ele deixou o local da agressão dizendo que ‘era só um recado do prefeito’”, lembra.

O prefeito Marcelo Pamplona negou o extermínio de cães. Ele disse que a cidade está tomada por cachorros, que defecam nas ruas e porta das casas, por isso decidiu enviar os cães para a zona rural – só não disse exatamente as vilas. “A gente vai continuar fazendo isso até não ter mais cachorros andando nas ruas. Quem tiver o seu que cuide e cuide dele em casa”, ressaltou.

O coordenador do grupo técnico do Departamento de Zoonoses da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Reynaldo Lima, criticou a forma com que o prefeito passou a conduzir a situação. “Ele está fazendo de forma errada. Existe uma lei que ampara os animais”, atentou.

Fonte: Diário do Pará

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