Lince-ibérico nascido em programa de conservação já anda e começa a desprender as orelhas

Ainda faltam uns dias para fazer um mês, mas a nova residente do Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico de Silves parece determinada a resistir. O primeiro filhote do centro de conservação nacional inaugurado há um ano e meio já anda, já começou a desprender as orelhas e a perder a borra, a pelagem com que nascem, considerados no limiar da extinção e que já foram uma das espécies mais emblemáticas do país. Depois de o centro ter perdido quatro filhotes em Março, dois por hipotermia 12 horas depois do nascimento e os outros dois por aborto antes da data prevista para o parto, o filhote ainda sem nome, nasceu no dia 24 de Março e parece disposto a inverter as estatísticas.
Um dos linces entregues hoje ao centro de reprodução em Silves. Foto: Luís Forra/Lusa

A época de reprodução do lince-ibérico vai de Janeiro a Julho, com pico entre Janeiro e Fevereiro. Nos cinco centros da Espanha da rede ibérica de reprodução em cativeiro acontece um autêntico recorde de nascimentos desde o início do projeto, em 2005. Desde então já nasceram 36 linces, dos quais sobrevivem 24. Iñigo Sánchez, coordenador do programa espanhol, disse ontem ao “El País” que ainda há três fêmeas prenhas, pelo que a conta ainda não está fechada. O gabinete de imprensa do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, que tutela o centro nacional, adiantou que a curto prazo não é possível perceber se haverá mais nascimentos em Portugal. “Vamos ter de aguardar com a chegada da época de reprodução.”

A gestação do lince-ibérico dura cerca de dois meses, normalmente para ninhadas de duas a três crias. Cada novo nascimento é um sinal de esperança para uma população que há menos de 20 anos era dez vezes maior do que é hoje. Durante os anos 90 existiram 1000 a 1200 indivíduos em nove núcleos populacionais, informa o site do ICNB.

Em Portugal, embora fosse mais raro que em terras espanholas, era possível encontrar o lince-ibérico na faixa litoral do vale do Sado ao Algarve, na serra da Malcata, onde era mais conhecido, e no parque do Guadiana Internacional. Hoje serão apenas 84 a 143 indivíduos adultos, o que coloca a espécie na lista de ameaçadas de extinção. A probabilidade de reprodução fora dos centros ibéricos é mínima: só existem duas populações naturais e relativamente isoladas: a população de Doñana, com 35 indivíduos, e a de Andujár-Cardeña, com 110.

O centro nacional de reprodução tem neste momento 16 jovens adultos, habitantes temporários que serão transferidos para um novo centro de reprodução de lince-ibérico em Espanha. O espaço na Herdade das Santinhas, no concelho de Silves, teve um investimento de 3,6 milhões de euros e faz parte do programa nacional de conservação da espécie, uma das principais bandeiras ambientais do país. O objetivo da rede ibérica é conservar 85% da actual variabilidade genética durante 30 anos e, quem sabe, fundar novas populações.

Fonte: IO

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