Prefeitura de Jales (SP) despeja animais de abrigo e ordena expulsão de gatos do cemitério

           

Alzira Mara
alzira.mara@bol.com.br

Estamos em apuros aqui em Jales, interior de São Paulo . A prefeitura está passando dos limites em todos os sentidos – uma das piores administrações que tivemos enquanto sonhávamos outros sonhos.

Há uns três anos, tivemos a ingrata surpresa de casos de leshmaniose em alguns cães. Iniciaram-se, a partir daí, as eutanásias desnecessárias e cruéis promovidas pelo poder público. Exames totalmente suspeitos e equivocados. ‘A esta época , após inúmeras súplicas em favor da vida e dadas as devidas explicações na mídia falada e escrita , decidi partir para o ” ataque” em defesa dos animais.

Creio que há um longo e árduo caminho a percorrermos até que o ” mundo ” acorde em defesa do bem estar e libertação animal . Não desistiremos jamais!

Esta semana houve um incidente grave que me revoltou e quero torná-lo público. Medidas judiciais estão sendo tomadas . O fato terá repecussão na mídia também. Muitas máscaras cairão!

Há algum tempo eu cuidava de alguns cães e gatos no recinto de exposições . Em anexo, funciona um mini-CCZ (nenhum animal nunca foi recolhido ou cuidado pela equipe) e o almoxarifado da prefeitura. Tratava de vários em outros lugares da cidade, além dos meus, é claro. Uma das protetoras que me substitui, a Elizângela, contou-me, em prantos, que no dia 4 ela não encontrou nenhum dos cães moradores do local. Eles aguardavam ansiosos pelo “jantar” – refeição que era servida apenas uma vez ao dia .Na última quinta-feira, eles sumiram, desapareceram misteriosamente!.

Ontem pela manhã, as protetoras Luciane Torres Marques e Elizângela Salles aguardavam a abertura do almoxarifado para obterem informações sobre o desaparecimento dos animais. Encontraram-se, de forma inesperada com Humberto Parini, o prefeito de Jales. Entre várias indagações e confronto verbal ,ele, bastante alterado confessou a determinação expressa para a retirada dos animais e que os mesmos foram levados para um local distante . O lugar exato não é sabido, mas, pela descrição, eles foram abandonados à beira da rodovia . Ele disse em alto som :”não devo satisfações para ninguém e quem manda aqui sou eu”.

O portão do recinto foi fechado na “cara delas”,  bem como tiveram a entrada proibida para alimentar alguns gatinhos ” invasores” do local. Correm ao nosso encontro na hora do ” rango”. Nos fazem  chorar!

Por outro lado, sempre houve o abandono de gatos no cemitério. Resumindo: uma professora habituada a ir limpar o túmulo da mãe todos os dias (perfeccionista obsessiva), pisou distraidamente em fezes de gatos, fato que desencadeou uma denúncia junto à prefeitura, resultando na determinação da retirada sumária dos gatos e a proibição expressa de alimentá-los. Ninguém pode alimentá-los. Entendo que cemitério é terra de ninguém e um lugar onde não queremos ir morar. Prefiro as “moradas do céu”.  Assim, o poder público, que proíbe e recusa-se a cuidar dos animais, é o maior algoz. Em Jales não temos abrigo, ONG ou similar. Urge uma força tarefa descomunal em defesa e socorro dos animais.

Os gatos sofreram ação de despejo e têm dia marcado para saírem. A acusação alega que são sujos e o cemitério é limpo!

Após a discussão com o prefeito, as protetoras saíram com ânsias, atônitas! Não houve prantos, mas choraram o silêncio… Houve sussurros que encalharam. O leão voltou a rugir! Mas a justiça virá!

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