Dois linces morrem em cativeiro na Espanha vítimas de doença renal crônica

Este mês, o esforço para travar a extinção do lince-ibérico, o felino mais ameaçado do planeta, recebeu um revés com a morte de um macho e uma fêmea, em dois centros de reprodução em cativeiro, na Espanha, vítimas de doença renal crônica.

Na manhã de 4 de janeiro, o centro de reprodução em cativeiro de El Acebuche, em Doñana, “procedeu à eutanásia da fêmea de lince-ibérico Enea, nascida em março de 2008” naquele mesmo centro, segundo um comunicado do Programa de Conservação Ex-Situ.

Em novembro de 2009, Enea foi um dos animais diagnosticados com a doença, em fase terminal. Ao longo do ano seguinte, o estado de saúde desta fêmea sofreu uma degradação gradual, combatida com tratamentos veterinários. “Mas o animal não conseguiu recuperar desta última recaída, sofrida no final de dezembro, devido ao avançar da doença”, acrescenta o comunicado.

Dias mais tarde, a 11 de Janeiro, o centro de reprodução de La Olivilla também teve de proceder à eutanásia do macho Eros, nascido no centro de El Acebuche, na Primavera de 2008. Assim como o que aconteceu a Enea, foi diagnosticada a doença a Eros através de análises ao sangue realizadas em Novembro de 2009. “A evolução da doença neste animal foi rápida, apesar dos tratamentos administrados”, concluiu o comunicado.

A doença renal crônica, que danifica os rins de forma irreversível, foi identificada como mais uma ameaça à espécie no final de 2009, afetando pelo menos 25 animais. Meses depois, os especialistas explicaram o fenômeno com os efeitos nocivos dos suplementos alimentares administrados aos animais, pelo que os suspenderam. Esta medida terá permitido a melhoria da maioria dos animais doentes, exceto aqueles em que a doença está mais avançada.

No ano passado, a doença matou seis linces, em cativeiro. “Foi um revés tremendo para o programa de conservação ex-situ”, comentou Iñigo Sanches, coordenador do Comité de Criação em Cativeiro do Lince-Ibérico em outubro, no 1º Seminário do Lince-Ibérico em Portugal, em Faro.

No ano passado registou-se a época reprodutora mais difícil desde o início do programa, em 2003, com apenas nove crias sobreviventes. Em parte devido à doença renal crônica.

Até agora, existiam cerca de 80 animais em cativeiro.

O objetivo final do programa ibérico de reprodução em cativeiro é conseguir conservar 85 por cento da variabilidade genética existente atualmente na natureza, durante um período de 30 anos. Para tal será preciso um núcleo de 60 linces reprodutores.

A fase seguinte será fazer uma reintrodução gradual dos animais em determinadas áreas consideradas prioritárias. Na verdade, até ao final de 2012, Portugal deverá implementar um programa detalhado para a reintrodução dos animais na natureza, compromisso assumido na assinatura do protocolo de cedência dos linces.

Estima-se que existam atualmente apenas cerca de 150 linces-ibéricos (Lynx pardinus); em meados do século XIX seriam cem mil espalhados por toda a Península Ibérica. Hoje a espécie vive em Portugal numa situação de “pré-extinção”. O colapso das populações de coelhos, a sua principal presa, a caça indiscriminada e a perda de habitat explicam o cenário.

Fonte: Ecosfera

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