Professor da Unifesp lidera grupo por inclusão de macacos brasileiros em lista mundial de espécies em extinção

           

Trabalho representa sinal de alerta para a grave situação
na biodiversidade da mata atlântica nordestina e na caatinga.

O professor Maurício Talebi, do departamento de Ciências Biológicas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), campus Diadema, coordenou os trabalhos que resultaram na inclusão de duas espécies de primatas brasileiros na lista dos 25 primatas mais ameaçados de extinção no mundo.

O fato representa um importante alerta para a grave situação enfrentada por toda a biodiversidade na Mata Atlântica nordestina e na Caatinga. As espécies em extinção são o macaco-prego-galego, encontrado nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas; e o guigó-da-Caatinga, que sobrevive nos estados de Bahia e Sergipe.

“A partir da publicação desta lista, as duas espécies deverão ser alvo de mais esforços de pesquisa e conservação e poderão ser as espécies-bandeira que irão alertar o mundo sobre a necessidade de conservação nessas regiões”, disse Talebi.

A inclusão ocorreu durante o 23º Congresso Internacional de Primatologia realizado em setembro na Universidade de Kyoto, no Japão. A lista é revisada a cada dois anos, sob a coordenação do Grupo Especialista em Primatas da União Internacional para a Conservação da Natureza (PSG/IUCN), e tem como principal objetivo ampliar as ações conservacionistas para as espécies listadas.

A candidatura dessas espécies foi apresentada pela delegação brasileira liderada pelo professor da Unifesp e pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (CPB/ICMBio), com o apoio de outras universidades e ONGs brasileiras.

A defesa em sessão plenária coube ao Professor da Unifesp Diadema, que também é um dos três Coordenadores da Regional Brasil & Guianas do PSG e ao chefe do CPB, Leandro Jerusalinsky.

As espécies em extinção
O macaco-prego-galego (cebus flavius) foi redescoberto apenas em 2006, após 300 anos desaparecido para a ciência. Apesar das investigações realizadas por alguns centros de pesquisa e universidades, ainda é escasso o conhecimento disponível sobre suas diminutas populações. Atualmente, são conhecidas apenas 10 áreas com ocorrência confirmada da espécie em pequenos fragmentos de Mata Atlântica. Esta espécie foi listada como “criticamente em perigo” em recente avaliação da IUCN.

Já o guigó-da-Caatinga (callicebus barbarabrownae) foi descoberto há cerca de 20 anos e é o único primata endêmico da Caatinga que, por sua vez, é um bioma endêmico do Brasil. Esse bioma se encontra em grave estado de degradação, inclusive com áreas em franco processo de desertificação. Neste cenário, o CPB e a UFS têm investigado o guigó nos raros remanescentes de Caatinga arbórea em que sobrevive nos estados de Bahia e Sergipe. A espécie é considerada “criticamente em perigo” tanto na lista da IUCN quanto na avaliação do Ministério do Meio Ambiente.

Com informações de Portal Fator

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