Artista que pichou ‘obra’ da Bienal pedindo liberdade aos urubus registra B.O. por agressão

           

Pivô da confusão que marcou o primeiro dia da Bienal de São Paulo, o pichador e artista credenciado na mostra Djan Ivson, de 26 anos, o Cripta Djan, diz que não se arrepende de ter pichado a obra ‘Bandeira Branca’, que expõe três urubus confinados como ‘obra de arte‘. Ele pretende ir à delegacia hoje registrar boletim de ocorrência contra os seguranças que o agrediram para tirá-lo de dentro da instalação.

“A própria curadoria da Bienal fala de liberdade de expressão. Dentro desse contexto, quis fazer um protesto (no sábado). Acho descabido um animal preso lá”, afirma Djan, criticando a obra do artista plástico Nuno Ramos. “O que a gente faz é livre. Essa é a essência da pichação.” Djan conta que os seguranças o impediram, com truculência, de terminar a frase que pretendia pichar.

Imagem da pichação feita por Cripta Djan na instalação de Nuno Ramos. (Foto: AE)

“Queria escrever ‘libertem os urubus e os pichadores de BH’. Eles foram presos lá por formação de quadrilha. São pais de família”, diz o artista, que montou o painel Pixação SP com outro pichador, Rafael Pixobomb, e o fotógrafo Adriano Choque. O trio participou da invasão da Bienal em 2008.

Djan afirma que levou uma gravata e socos no estômago mesmo depois de mostrar sua credencial aos seguranças. Ao ver a cena, ativistas de movimentos de defesa dos animais e visitantes da mostra foram reclamar com os vigias. Houve confusão. “Uma segurança me pegou pelo cabelo e me colocou no chão”, diz a hoteleira Camila Barreto, de 27 anos, que registrou boletim de ocorrência por agressão no 36° DP (Paraíso). Os vigilantes alegam que eles é que foram agredidos pelos ativistas.

O pichador foi colocado para fora do prédio por um dos seguranças. “Pulei o muro e entrei em um ônibus. Achei que ia morrer. Não sentia meus braços e estava sem ar”, afirma Djan. “Não me arrependo nem um pouco. Mesmo estando vinculado à Bienal, não ia deixar de ter nossa liberdade.”

A Fundação Bienal informou, por nota, que “lamenta e repudia os episódios de vandalismo e violência em relação à obra Bandeira Branca”. Afirmou ainda que tem “compromisso com a liberdade de expressão dos artistas”, mas que “esse debate deve se dar no campo das ideias”. Nuno Ramos não foi localizado ontem para comentar o assunto. A parede pichada estava limpa ontem.

Hoje, o Fórum Nacional de Proteção e de Defesa Animal e a ONG Resgato vão entrar com uma ação civil pública no Ministério Público Federal, pedindo a retirada dos urubus da Bienal. O advogado Rogério Gonçalves, que representa as entidades, diz que a licença ambiental, emitida pelo Ibama de Sergipe, permite apenas a criação dos bichos. “Não fala nada sobre expor as aves”, diz. A obra “atende a todos os requisitos legais no que se refere ao trato e ao manejo dos animais”, segundo a Bienal.

Com informações do Jornal da Tarde

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