Adriana Birolli diz que vai consultar advogado sobre críticas à sua entrevista no Jô

           

Por Lobo Pasolini (da Redação)

A atriz disse que vai consultar seu advogado. Foto: Marcio de Souza

A edição da Veja São Paulo desta semana repercutiu a matéria produzida pela ANDA sobre as declarações sarcásticas da atriz Adriana Birolli, que relembrou, às gargalhadas, no programa do Jô Soares, como matou uma galinha e dois coelhos quando era escoteira.

A atriz, surpresa com a repercussão, declarou: “Não consigo parar de chorar. Nem sei como lidar com uma coisa dessas. Vou pedir orientação a um advogado.”

Curiosamente, ela não chorou quando descreveu, em detalhes terríveis, a violência e covardia como os três inocentes animais foram mortos por ela, conforme pode ser constatado no vídeo da entrevista.

Os animais na imprensa

A entrevista da atriz Adriana Birolli no programa do Jô Soares confirma que a mídia não trata os animais com o devido respeito. Não há guia ético para lidar com a questão da representação de não-humanos no universo midiático, embora existam leis básicas e senso comum que estão ao alcance do conhecimento de qualquer pessoa, profissional ou não.

O que este caso infelizmente ilustra é que, se não fosse a ação de ativistas e de pessoas sensíveis aos direitos animais, as declarações da atriz, que merecem repreensão pelo tom sarcástico com que ela tratou o sofrimento alheio, no caso dois coelhos e uma galinha, teriam passado em branco. Quando a matéria da ANDA foi publicada, já havia se passado quase um mês da veiculação da entrevista e nenhuma palavra havia sido dita. Apesar de termos procurado a União Brasileira dos Escoteiros para se pronunciar, também não houve qualquer interesse de diálogo ou esclarecimento por parte da instituição.

O fato é que o conteúdo da entrevista deveria ter sido criticado pela própria emissora onde ela foi veiculada. A UEB também poderia ter se manifestado em relação ao assunto, já que o envolvimento de Adriana no escotismo é fato bastante divulgado, e ela recentemente foi homenageada pela organização. Mas houve apenas silêncio de ambas as partes.

É muito provável que se a atriz tivesse dito o que disse em um país com uma tradição mais forte de debate público e monitoramento da mídia, a atriz e o apresentador, pois ele estimulou que ela descrevesse a morte dos animais, e a UEB tivessem sido duramente criticados por jornalistas da própria imprensa.  Está na hora de abandonarmos essa atitude complacente e exigir um nível maior de responsabilidade das figuras públicas.

Esse tipo de comportamento simplesmente não pode passar pelo crivo ético da indústria cultural de um país. Com a fama vem a responsabilidade e usar um espaço precioso e caro como é a TV para entreter com descrições de pavor e angústia alheia é simplesmente inaceitável.

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