Biodiversidade depende de coexistência de espécies

           

Uma espécie desaparece a cada 20 minutos, um ritmo cem a mil vezes superior em relação ao período que antecedeu a chegada do ser humano. Há cada vez mais investigadores a concordar com o fato de que o nosso século é o da sexta extinção, comparativamente a cataclismas responsáveis pelo desaparecimento dos dinossauros, há 65 milhões de anos, ou ao ‘extermínio’ da fauna do Pré-cambriano, há mais de 500 milhões de anos.

Esse desaparecimento afeta especialmente a zona intertropical, onde se encontram as mais variadas concentrações de espécies, explicam os cientistas do Instituto de Investigação para o Desenvolvimento (IRD – Institut de Recherche pour le Développement), na França. E conservar a riqueza do mundo vivo para uma gestão durável dos recursos naturais é um dos princípios do desenvolvimento dos países do Sul.

Para proteger a biodiversidade, é necessário compreender os princípios ecológicos fundamentais que a regem: como é que as espécies coabitam? Como é que estas repartem o espaço e recursos? Os cientistas ainda tentam perceber como é que determinados seres se mantêm num ecossistema.

Desde a “Teoria das Espécies”, de Darwin, e o princípio de seleção natural que favorecia a espécie mais adaptada ao meio, os ecologistas acordaram em fundamentar a “teoria dos nichos” – que explica a repartição desigual dentro de um ecossistema. Segundo esta hipótese, uma espécie possui um nicho ecológico específico e na qual predomina. Em suma, significa que ocupa um habitat e exerce uma determinada função “no plano trópico”, ou seja, a nível do regime alimentar (presa, predador) é bem específico.

Tendo em conta esta teoria, duas espécies de nichos idênticos não podem coabitar, porque precisam de ser suficientemente diferentes para utilizar recursos e evitar a competição. E quando a biodiversidade é rica, já se podem observar duas ou três a competirem.

Para explicar a capacidade de a biodiversidade se manter, há ainda quem defenda que nenhuma espécie domina em relação a outra, tendo em conta o processo em termos de natalidade, mortalidade, dispersão e ‘especiação’. E sem competição não há exclusão específica e a colonização-extinção seria resultado de disparidades entre repartições observadas – Teoria neutra.

Evitar extinção através de coabitação (Imagem: Reprodução/Ciência Hoje)
Evitar extinção através de coabitação (Imagem: Reprodução/Ciência Hoje)

Cenário de evolução

Os investigadores do IRD decidiram simular a repartição de diferentes espécies de fitoplâncton no seio de um ecossistema e utilizaram dados sobre a abundância destes micro-organismos, recolhidos próximo de Plymouth, no Canal da Mancha, durante 12 anos, para o Western Channel Observatory (Inglaterra).

Existem diferentes tipos de fitoplâncton, mas são semelhantes em aparência e no seu funcionamento dentro de um ecossistema (alimentam-se de nutrientes idênticos, têm os mesmos predadores, partilham condições hidrotermais etc.) e respondem de forma previsível. A simulação mostra que a repartição depende tanto de processos neutros como de nichos ecológicos.

Dentro de um contexto global, os investigadores estabeleceram cenários de evolução dos ecossistemas e oferecem assim a possibilidade a países mais a Sul de melhor preservar o seu patrimônio natural, com vista em gerir recursos e desenvolvimentos novos de forma mais durável.

A questão da biodiversidade é uma das problemáticas científicas atuais para acordar consciências globais. A ONU determinou 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade (AIB). Este estudo é um dos contributos do IRD para o AIB.

Fonte: Ciência Hoje

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