Apesar das constatações de maus-tratos, juiz inocenta o circo Ringling Bros. and Barnum & Bailey

           

Por Adriane R. de O. Grey  (da Redação – Austrália)

O juiz norte-americano Emmet J. Sullivan anunciou sua decisão quanto ao processo federal movido contra a empresa matriz do circo Ringling Bros. and Barnum & Bailey Circus, a Feld Entertainment. A denúncia que motivou o processo, iniciado há 10 anos por quatro organizações protetoras dos animais, The Fund for Animals, American Society for the Prevention of Cruelty to Animals, The Animal Protection Institute, the Animal Welfare Institute, e pelo cidadão Tom Rider, ex-funcionário da empresa, alegava fundamentalmente que o abuso rotineiro no tratamento dos elefantes asiáticos do circo violava o Ato Federal das Espécies Ameaçadas de Extinção (Endangered Species Act – ESA), de 1973 (leia aqui a matéria publicada na ANDA).

A decisão do juiz, no entanto, não se fundamentou na extensão dos indiscutíveis registros de crueldade no tratamento dos elefantes bebês, muitos dos quais morrem durante o treinamento, tampouco no comprovado e documentado tratamento cruel dado aos elefantes adultos, molestados frequentemente com bullhooks – ganchos de metal presos a bastões de madeira, semelhantes aos instrumentos usados em lareiras para mover as lenhas – que são usados para atingir os animais em suas partes mais sensíveis, muitas e muitas vezes. A decisão judicial baseou-se tão somente na premissa de que as organizações de proteção animal e o ex-treinador que processaram o circo não têm competência legal para levantar estas questões. Inúmeras evidências apresentadas pelo PETA no julgamento do circo ocorrido no início de 2009 mostraram e mostram, confirmaram e confirmam o enorme sofrimento e dor diários a que os elefantes são submetidos pelo uso constante dos bullhooks e de correntes.

Em julho de 2009, o PETA divulgou um vídeo produzido durante uma investigação encoberta que documenta e registra inúmeros “tratadores” batendo impiedosamente nos elefantes com os bullhooks nos bastidores dos shows. Em início de dezembro do mesmo ano, o PETA divulgou fotos chocantes que mostram o treinamento a que são submetidos os elefantes bebês ainda em idade de estarem com suas mães: os animaizinhos são presos por cordas e ameaçados e espancados com os bullhooks, para que tenham o seu “espírito quebrado” desde cedo e tornem-se completamente obedientes à conveniência dos “tratadores”. Todas estas evidências estão disponíveis aqui.

Imagem: Reprodução/RinglingBeatsAnimals
Imagem: Reprodução/RinglingBeatsAnimals

Os bullhooks têm apenas um propósito: infligir dor e medo. O gancho de metal machuca, perfura e rasga a pele sensível dos elefantes com facilidade e frequência.

Alguns documentos internos apresentados durante o julgamento do circo mostram que o próprio veterinário do Ringling Bros. testemunhou maus-tratos diversos como:

• um elefante sangrando por todo o picadeiro durante uma apresentação após ter sua pata e tronco surrados com o bullhook;
• um treinador sendo pego dando choques elétricos nos elefantes que desembarcavam dos caminhões-jaula;
• quatro elefantes sendo cobertos por um pó maquilante, chamado wonder dust, ou pó maravilha, logo antes do show, para cobrir ferimentos causados pelos bullhooks.

Antigos empregados do circo, incluindo vários daqueles que inicialmente contataram o PETA, também deram testemunhos das surras violentas e frequentes nos animais do Ringling Bros.

Inspeções, registros médicos e outros documentos revelaram que:

• muitos elefantes do Ringling Bros. foram colocados em quarentena devido a evidências ou a indícios de tuberculose;
• os elefantes apresentavam deformidades físicas exacerbadas pelas performances exaustivas, sendo que um animal de 2 anos de idade tinha abscessos nos pés, além das deformações;
• os elefantes são sistematicamente acorrentados em pequeníssimos caminhões-jaula por mais de 26 horas ininterruptas, período que pode atingir até 100 horas.

Como o juiz federal Sullivan não considerou o direito à vida decente e digna dos animais do Ringling Bros. em sua decisão, que poderia tê-los libertado da condição de escravos de uma empresa tão impiedosa, presenteando-lhes com a possibilidade de viverem o tempo que lhes resta em paz em um santuário, numa derrota decepcionante depois de 10 anos de luta de tantos, o PETA, como um recurso desesperado, pede a seus simpatizantes e ativistas que se unam num protesto mundial contra esta prática cruel de treinamento, enviando ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA – United States Department of Agriculture) uma carta exigindo que ao menos o uso dos bullhooks seja definitivamente banido do treinamento dos elefantes. Você pode assinar a carta acessando este link.

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