Polêmica na votação que decidirá o fim das touradas na Catalunha

           

Por Raquel Soldera (da Redação)

No site Prou!, da Iniciativa Popular Legislativa pela abolição das touradas, há um relógio que conta os dias, as horas, os minutos e os segundos que faltam para a votação do projeto de lei que visa proibir as touradas na Catalunha, na Espanha, prevista para sexta-feira (18) às dez horas da manhã. A expectativa é grande diante de uma votação em que os dois maiores partidos da Câmara, Convergencia i Unió (CiU) e o Partido dos Socialistas (PSC), darão liberdade de voto aos seus membros. Em ambos existem os que são contra as touradas e aqueles que são contra a proibição. Deles depende que a ILP prospere ou mantenha um projeto.

O tempo está acabando e os lobbies de ambos os lados estão correndo até o último minuto. A Associação de Defesa dos Direitos dos Animais entregará hoje 127.500 novas assinaturas contra as touradas no Parlamento. Do lado dos que são a favor das touradas, um grupo de 133 políticos franceses, a maioria do sul da França, enviou uma carta a todos os 135 deputados da Câmara de Catalunha, na qual, “sem a intenção de se meterem onde não são chamados”, dizem, solicitam que “preservem os valores da liberdade individual, de opiniões diferentes e respeito os gostos, interesses e tradições culturais de cada um”. “Nós gostaríamos que rejeitassem a proibição das touradas”, concluem.

Os políticos franceses (42 prefeitos de cidades que apoiam touradas no Sul da França, 22 senadores e 68 deputados), lembram em seu texto que na França, assim como na Espanha, as touradas  são permitidas “em áreas de tradição contínua”. “É o caso do sul da França, onde, em muitas localidades, a tourada é um dos espetáculos mais presente nos calendários festivos e uma das manifestações mais importantes da comunidade, assim como o rugby“, dizem os políticos.

A carta, que será recebida pelos membros do Parlamento hoje, destaca que “o Estado não deve impor tradições ou proibições”. “A regra deve ser o respeito pela diferença e a vontade individual”, dizem. E acrescentam que “se as touradas não agradam a uma sociedade, desaparecerá de forma natural”. Este argumento, entre outros, é o que defende a Federação de Entidades Taurinas e a Plataforma em Defesa do Festival. Apelando, como a carta dos políticos franceses, à liberdade individual e ao respeito ao festival, os dois grupos apresentarão na quarta-feira (16) um manifesto intitulado Pela Liberdade.

Maioria é a favor da proibição

Imagem: Ferran Sendra/ El Periódico
Imagem: Ferran Sendra/ El Periódico

A ILP precisa de maioria absoluta, que, segundo a média aritmética parlamentar, são 68 votos dos 135 deputados.

O partido ERC (21 votos) e ICV-EUiA (12) anunciaram que vão votar pelo fim das touradas na Catalunha. PPC (14) e Ciutadans (3) relataram que votam a favor das touradas.

As posições que deixam dúvida são da CiU (48) e PSC (37), que deram liberdade de voto aos seus membros e pediram voto secreto. A pressão dos que são a favor ou contra as touradas, assim como as associações de defesa dos animais, deixam um papel mais complicado aos dois deputados que falarão em nome dos grupos da CiU e do PSC.

Fontes da CiU dizem que 65% a 70% de seus membros são a favor da ILP, 15% são contra e os demais estão indecisos. Josep Rull, que falará pela CiU, é a favor das touradas, mas explicará as diferentes opiniões do seu grupo: “Os que são contra a proibição, aqueles que consideram as touradas uma expressão cultural que deve ser preservada e os que se baseiam na defesa dos animais” . Nas fileiras da CiU também estão deputados de Tarragona, que temem que comecem a proibir as touradas, e terminem vetando uma festa popular que é sagrada em algumas aldeias nos distritos de Ebro.

Pelos socialistas falará o deputado David Perez, defensor das touradas. Mas nem todos os membros do PSC pensam como ele.  “Há uma minoria a favor das touradas, outra minoria a favor dos animais que quer a proibição, e uma maioria que não acredita que a tourada deva ser proibida”, disse o deputado socialista.

Com informações de El País, El Periódico e ABC.es

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