“Mutação” do calicivírus representa um perigo para os gatos

           

Depois de graves surtos ocorridos nos Estados Unidos e Reino Unido, que levaram  milhares de animais à morte, uma nova doença pode tirar o sono também dos tutores de gatos aqui no Brasil: a calicivirose sistêmica. Diferentemente da calicivirose, cujos sintomas já são bem conhecidos entre os médicos veterinários, a calicivirose sistêmica, causada por uma mutação do calicivírus tradicional, é uma doença bem mais grave, que pode levar os gatos à morte entre 24h e 48h após a infecção, mesmo os animais vacinados contra o calicivírus tradicional.

A forma tradicional da calicivirose se caracteriza por alterações no sistema respiratório superior, provocando secreções oronasais, úlceras orais e estomatite.

Já a calicivirose sistêmica é uma doença bem mais agressiva, que pode acometer órgãos tais como o fígado, os rins e o pâncreas. Por ser muito resistente, o vírus da calicivirose sstêmica pode permanecer viável no ambiente por até 28 dias, além de ser de fácil contágio.

Até hoje a calicivirose podia ser prevenida com as vacinas disponíveis no mercado, conhecidas como tríplice, quádrupla e quíntupla felina, mas, devido a características particulares da nova cepa mutante, tais vacinas tornaram-se ineficientes.

Entretanto, para a tranquilidade de médicos veterinários e tutores de gatos, foi lançada no Brasil uma nova linha de vacinas para gatos, que confere proteção contra a calicivirose sistêmica.

A Linha Fel-O-Vax® + CaliciVax®, produzida pelo laboratório Fort Dodge Saúde Animal, inclui na sua composição a nova cepa causadora da calicivirose sistêmica, sendo a única aprovada e eficaz na proteção contra esta doença, além de proteger também contra a calicivirose tradicional.

O médico veterinário Archivaldo Reche Jr., Professor Doutor do Departamento de Clínica Veterinária da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade São Paulo (USP) e especialista em medicina felina, destaca a importância desta nova linha de vacinas: “doenças emergentes como a calicivirose sistêmica, que pode induzir uma mortalidade de até 70% entre os animais doentes, são consideradas preocupantes entre comunidades de elurófilos, pesquisadores e veterinários. Embora sua ocorrência ainda seja limitada a alguns surtos localizados, a prática de medidas preventivas deve ser globalizada”, explica Reche.

Outra especialista a abordar a questão da calicivirose sistêmica é a médica veterinária Fernanda Vieira Amorim da Costa, diretora científica da Anclivepa-SC (Associação Nacional dos Clínicos Veterinários de Pequenos Animais) e presidente da ABFel (Academia Brasileira de Clínicos de Felinos). Ela também chama a atenção para o fato de o calicivírus felino sistêmico virulento ter causado um grande número de mortes em gatos adultos nos Estados Unidos e Europa e por existir um intenso trânsito de animais entre as várias regiões do mundo.

A pesquisadora comemora o fato de estar disponível uma vacina com a cepa atualizada contra esta enfermidade também no Brasil. “Fico muito satisfeita em saber que já chegou ao Brasil a vacina que inclui esta cepa virulenta, pois é extremamente importante que a profilaxia comece a ser realizada antes que tenhamos casos desta doença no país”, alerta.

Fonte: Animalivre

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