Animais domesticados

           

Nenhuma espécie de animal pode deixar de se relacionar com outras espécies, que vivam no mesmo território. Os animais não humanos podem ser classificados como presas, como competidores, como parasitas ou como perseguidores.

As presas: a espécie humana já matou e comeu vários animais – bisões, cavalos, rinocerontes, veados, ursos, mamutes, carneiros, camelos, avestruzes, búfalos, javalis etc. E, temos a tendência para domesticar certas espécies de presas selecionadas. A espécie humana pratica a domesticação de animais, incluindo escolha organizada e reprodução seletiva das presas, há pelo menos quinze mil anos. Os primeiros animais a serem domesticados foram carneiros e renas. Mais tarde, com o estabelecimento em um determinado lugar para a agricultura, o número de animais foi aumentando: porcos, bovinos etc. Os porcos e bovinos estabeleceram as primeiras relações com os humanos, quando assaltavam as colheitas. Dentre os pequenos mamíferos, a única espécie que foi regularmente domesticada foram os coelhos. Dentre as aves, as galinhas, os gansos e os patos foram as principais espécies domesticadas há milhares de anos, e em menor escala os faisões, as codornizes e os perus. Os únicos peixes que começaram a ser domesticados há muito tempo foram a enguia romana, a carpa e os peixinhos vermelhos.

Os simbiontes: define-se simbiose como a associação de duas espécies diferentes para mútuo benefício. Exemplos: aves e certos animais grandes ungulados, como rinocerontes, girafas e búfalos – os pássaros comem os parasitas que vivem na pele desses animais.

Em relação à simbiose com humanos, outros animais ficam em desvantagem: a espécie humana domina a situação e os “sócios” não têm outro remédio senão aceitar essa simbiose, que é mais exploração. O mais antigo simbionte da nossa história é o cão (descendente do lobo). Humanos e lobos formavam dois grupos de caçadores cooperativos, que atacavam grandes presas e grupos. Os lobos eram mais habilidosos para arrebanhar as presas e conduzi-las a grande velocidade. Tinham também o olfato e a audição mais apurados. E estabeleceu-se uma ligação interespécies: os lobos ajudavam os humanos na caça em troca de uma participação na carne. E filhotes de lobos começaram a ser trazidos para as habitações tribais, como dispositivo de alarme noturno. Assim, os lobos domesticados acompanhavam os humanos nas caçadas. Esses lobos, posteriormente cães, passaram a ser tratados como membros das comunidades, e cooperavam com os líderes humanos. A domesticação do lobo tornou possível a domesticação das presas unguladas. Mais recentemente, a reprodução seletiva originou uma grande variedade de especializações simbióticas dos cães. Condução de rebanhos (cães pastores), farejadores (cães de caça), matadores de animais daninhos, cães de guarda, cães de companhia, cães-guia de deficientes visuais etc. Não há outra espécie simbiótica que tenha estabelecido com o homem uma relação mais complexa e variada. Além dos cães, guepardos e os falcões (e outras aves de rapina) são considerados simbiontes.

Outra forma de simbiose implica a utilização de pequenos carnívoros como destruidores de animais daninhos. Isso só começou durante o período agrícola: gatos, furões e mangustos. Outra forma de simbiose foi a utilização de grandes animais como animais de carga. Cavalos, jumentos, búfalos, bois etc. E, alguns animais são utilizados, simbioticamente, como fonte de produção: o leite das vacas, o leite das cabras, a lã dos carneiros, os ovos das galinhas, o mel das abelhas, a seda dos bichos-da-seda etc. Os pombos-correios também são considerados simbiontes. E uma das mais abjetas simbioses: o uso de animais como cobaias – ratinhos brancos, coelhos, macacos, gatos e cães (entram também nessa categoria). Os animais simbiontes aumentaram de número, mas é um êxito condicionado – alcançaram esse “êxito” à custa de sua liberdade evolutiva. Perderam sua independência genética e, apesar de serem alimentados e tratados, têm de se submeter aos caprichos dos humanos.

Os competidores: espécies que estejam em competição com a nossa, em relação a comida ou território, ou que interfiram no desenrolar eficiente das vidas dos seres humanos, são implacavelmente eliminadas. Praticamente, qualquer animal que não seja comestível ou simbioticamente explorável é atacado e exterminado. Esse processo continua a acontecer atualmente, em todo o mundo. No caso de competidores mais insignificantes, a perseguição faz-se ao acaso, mas rivais mais perigosos não têm possibilidades de escapar. Os rivais mais ameaçadores, antigamente, eram primatas – hoje, somos a única espécie sobrevivente de nossa própria família. Os grandes carnívoros também eram competidores importantes e temos eliminado todas as espécies de grandes carnívoros onde a densidade populacional de humanos atinge certo nível. Atualmente, isso acontece com lobos, tigres etc.  

Os parasitas: à medida que a ciência médica progride, os parasitas são reduzidos: pulgas, carrapatos etc.

Os perseguidores: essa categoria também está desaparecendo. Na verdade, nunca constituímos uma fonte fundamental na alimentação de qualquer outra espécie. Fomos presas de certos carnívoros: grandes felinos, lobos, cães selvagens, crocodilos, tubarões, grandes aves de rapina, mas isso não chegou a abalar o número de humanos. Ironicamente, o responsável pelo maior número de mortes de humanos não é capaz de devorar o cadáver da presa: trata-se de um inimigo mortal – a cobra venenosa – de forma geral, os indivíduos de qualquer espécie de primatas (humanos, gorilas, chimpanzés, orangotangos etc.) têm aversão às cobras.

Esses cinco exemplos de categorias de relações interespécies acontecem com animais de quaisquer outras espécies. Não somos diferentes dos outros animais, embora humanos levem muito mais longe as relações com outras espécies. Porém, a grande parte dessas relações pode ser designada como “aproveitamento econômico”.

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