Grupos Ponto de Partida e Meninos de Araçuaí encenam Pra Nhá Terra em BH

           

Foi um deus nos acuda na floresta quando, do dia para a noite, o Tatu, desanimado com a degradação da natureza, resolveu abandonar o seu posto de guardião do planeta. Ao saber da notícia, a Nhá Terra convoca às pressas todo o restante dos defensores para uma reunião. Após a discussão, da qual tomou parte Artemis, guardiã da floresta; Apicum, do mangue; Belona, das sementes; e Boiúna, das águas; ficou estabelecido que, para fazer o Tatu mudar de ideia, os seres humanos também teriam de aderir à campanha. Se eles toparam ou não, os espectadores só descobrirão ao assistir ao musical Pra Nhá Terra, em cartaz quarta (27), às 20h30, no Teatro Luís Otávio Burnier do Centro de Convivência. A montagem é estrelada por dois grupos mineiros de peso: o de teatro Ponto de Partida, de Barbacena, e o coro Meninos de Araçuaí, apadrinhado por Milton Nascimento.


Antes de subir ao palco, o projeto Pra Nhá Terra, com patrocínio do programa Natura Musical, ganhou formato em CD. Tudo começou em 2006: os atores e compositores do Ponto de Partida, Pablo Bertola e Lido Loschi, apresentaram à Regina Bertola, diretora do grupo, canções com temática ambiental, entre elas A Rosa. De cara, “ela gostou da ideia. A partir daí, passamos a escrever novas músicas e criar um enredo para a gravação”, explica o ator Pablo, de 24 anos.

Marca do grupo, as cenas e as personagens foram criadas durante os exercícios de improvisação propostos nos ensaios. Fazendo jus ao tema do álbum, o estúdio de gravação foi ambientado no sítio Borda do Campo, local onde nasceu no século 18 Barbacena. “Queríamos aproveitar os ruídos da natureza e barulhos de animais”. Lançado em 2007, o disco foi a quinta parceria entre o grupo de teatro e o coro Meninos de Araçuaí.

Tanto o CD quanto o espetáculo, com uma hora e vinte de duração, contam com mais de dez canções, a maioria de autoria de integrantes do Ponto de Partida. Além de Lido e Pablo, Júlia Medeiros e Leandro Aguiar compuseram a trilha. Há duas faixas com assinaturas especiais: Dois Rios, do trio Tavinho Moura, Sérgio Santos e Fernando Brant; e Estrelada, de Milton Nascimento e Márcio Borges. No CD, a última canção conta com a voz de Bituca.

Para dar um toque a mais de mineirice à cena, foram escolhidas canções folclóricas, como Coco da Velha, recolhidas no Vale do Jequitinhonha. O elenco de Pra Nhá Terra, que interpreta, canta e dança, é formado por 50 artistas (entre 7 e 52 anos), sendo 37 integrantes do coro, quatro músicos da banda (dois percussionistas, um violonista, um tecladista) e os atores. “Para esta temporada, vieram 19 novos meninos, que nunca pisaram no palco, para compor o coral”.

A dramaturgia do musical, assinada pela diretora Regina Bertola, é estruturada por meio dos versos do poeta do Mato Grosso, Manoel de Barros. “Reunimos toda a dramaturgia dele e, a partir dela, fomos pinçando poemas e outros textos”, lembra Pablo, que interpreta Rique no musical. De acordo com o ator, a maestria do poeta com as palavras faz com que o espetáculo não soe ao espectador como “piegas, panfletário ou didático”. Ao contrário, ele conta (e canta) a preservação da natureza de forma agradável e lúdica. O cenário, inspirado no bambuzal do sítio em Barbacena, é estruturado pela sobreposição de bambus: ora se juntam para formar as árvores, ora para construir uma cerca ou um barco. Com tudo isso em cena, não há Tatu que resista em ficar preso dentro da toca.

Os meninos

O coro Os Meninos de Araçuaí integra o Projeto Ser Criança, desenvolvido dentro da ONG Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD), fundada em Belo Horizonte por Tião Rocha. O primeiro álbum do coro, Roda que Rola, ultrapassou o número de 38 mil exemplares vendidos e foi considerado pela Revista Crescer: um dos dez discos que não podem faltar na vida dos filhos. O reconhecimento internacional do coral, formado por crianças e jovens de Araçuaí (cidade do Vale do Jequitinhonha), veio por meio do espetáculo Ser Minas Tão Gerais. Ao lado do Ponto de Partida (grupo que ajudou na fundação do grupo) e de Milton Nascimento, o coro foi aplaudido de pé durante uma apresentação no Théatre des Champs-Elysées, em Paris. Em 2002, participaram do álbum Pièta, de Milton Nascimento.

O poeta

O poeta Manoel Wenceslau Leite de Barros, o popular Manoel de Barros, nasceu no Beco da Marinha, à beira do Rio Cuiabá, no Mato Grosso, em dezembro de 1916. Quando criança, ao lado do pai, o capataz João Venceslau Barros, mudou-se para Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Atualmente, vive em Campo Grande e divide a labuta de escrever versos com a criação de gados. Formou-se em Direito em 1941, quatro anos depois de ter publicado seu primeiro livro de poesias: Poemas Concebidos Sem Pecado. Nequinho, como era tratado pelos parentes, resolveu transpor para seus versos a vivência da infância no Pantanal. Não é à toa que o grande mote até hoje de sua obra gira em torno da fauna e flora brasileiras. Publicou mais de 20 livros e recebeu três prêmios de destaque: dois Jabutis (O guardador das águas e O fazedor do amanhecer) e um APCA (Poemas Rupestres).

Os adultos

O Grupo Ponto de Partida (www.grupopontodepartida.com.br) nasceu em 1980, em Barbacena, pelas mãos dos artistas mineiros Regina Bertola (atual diretora da companhia), Lourdes Araújo, Ana Alice Souza e Ivanée Bertola. O primeiro espetáculo encenado foi A Arca de Noé. De lá para cá, os atores do grupo (hoje conta com 21 profissionais) percorreram diversas regiões do Brasil, países da África, Europa e América do Sul com suas montagens. Ao todo foram 30, entre as quais Os Satimbancos (1984); Loucas Histórias eCasos e Canções (1997) e O Tear – Histórias de Amor (2000). O grupo mineiro ainda produziu o álbum O menino e o poeta (2005). A parceria com Os Meninos de Araçuaí aconteceu em 1998. Além de Pra Nhá Terra, assinam juntos os espetáculos Roda que Rola (1999), Cortejo de Reis (1999), Ser Minas Tão Gerais(2002) e Santa Ceia (2003).

Serviço

Pra Nhá Terra – em cartaz quarta (27), às 20h30, no Teatro Luís Otávio Burnier do Centro de Convivência (Praça Imprensa Fluminense, s/n). A bilheteria do teatro funciona de terça a domingo, das 16h às 21h. Ingressos à venda por R$ 30 e R$ 15. Telefone: 3232-4168. O CD Prá Nhá Terra será vendido na hora do espetáculo por R$ 25.

Fonte: Gazeta do Cambuí

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