Musicoterapia e animais

           

A história da música pode ser muito, muito antiga. Recentemente, foram encontrados na Eslovênia instrumentos musicais, flautas feitas de ossos perfurados, com a data provável de 52 mil anos atrás.
Mas, se depender de biomusicólogos, a história da música pode retroceder até, pelo menos, há 60 milhões de anos, quando as primeiras baleias apareceram nos oceanos: eles partem do princípio de que esses mamíferos (e outros) também criam o que chamamos de música.
O som, há milênios, vem sendo utilizado nos processos terapêuticos Os iogues já utilizavam-no nos mantras: com os mantras, sons e ultrassons são vocalizados.
Foi descoberto no Egito, em 1889, um papiro de cerca de 4.500 anos atrás, que revelava a aplicação de um sistema de sons e de músicas, tanto instrumentais quanto vocais, no tratamento de problemas emocionais e de algumas doenças.
Segundo a mitologia grega, era Asclépio, filho de Apolo, quem tratava seus doentes, fazendo-os ouvir cânticos considerados mágicos.
Para Platão, a música era o “remédio da alma” e, por sua vez, a alma se condicionava ao corpo, assim como o corpo pela ginástica.
Demócrito afirmava os efeitos curativos do som da flauta doce.
Hoje em dia já se sabe que, cientificamente, os sons produzem efeitos benéficos (e maléficos). A utilização de sons com fins terapêuticos é a musicoterapia.
A musicoterapia é a utilização da música ou de seus elementos (melodia, som, ritmo e harmonia), com o objetivo de promover mudanças positivas físicas, mentais, sociais e cognitivas em seres com problemas de saúde ou de comportamento.
A musicoterapia deve ser aplicada por musicoterapeuta qualificado. Qualquer tipo de música pode ser terapêutico.
Os sons também são usados com/nos animais: há experiências demonstrando que determinadas músicas aumentam a produção de leite em vacas leiteiras (o que é condenável), podem acalmar aves etc.
Pesquisadores da Universidade do Canadá desenvolveram um estudo sobre os benefícios da musicoterapia para os animais. Segundo eles, cães e gatos submetidos a sessões de música são mais dóceis e alegres do que os demais. Na Inglaterra, a musicoterapia para animais também não é novidade.
Segundo estudiosos, a música harmônica pode provocar oito efeitos positivos em animais (e humanos):
– antineurótico;
– antidistônico (relaxante);
– antiestresse;
– sonífero e tranquilizante;
– regulador psicossomático;
– analgésico e/ou anestésico;
– equilibrador do sistema cardiocirculatório;
– equilibrador do metabolismo profundo.
A música atinge diversos órgãos e sistemas dos animais: cérebro, pulmões, aparelho digestivo, sangue e sistema circulatório, pele e mucosas, músculos e sistema imunológico.
Na Universidade de Michigan (EUA), médicos pesquisadores descobriram que o som de harpa ocasiona efeito calmante e solos de violino podem eliminar certas dores. O Dr. E. Gall (médico) localizou no cérebro humano (que nada mais é do que um cérebro de mamífero), áreas capazes de gerar bloqueios aos estímulos dolorosos, provenientes das vias nervosas – tudo levando a crer que com os demais mamíferos também seja assim.
Os estímulos sonoros, segundo sua qualidade, podem produzir efeitos positivos ou negativos. As ondas sonoras são captadas pelo pavilhão auricular e chegam ao conduto auditivo e ao tímpano, cujas vibrações atingem o ouvido médio, onde são convertidas em impulsos nervosos. Esses impulsos chegam ao cérebro através do nervo óptico e ali são interpretados. Segundo a qualidade harmônica do som, são produzidos efeitos positivos ou negativos, benéficos ou não ao sistema psicobioenergético.
As fibras nervosas convertem o som captado em estímulo nervoso. O encadeamento de estímulos produz efeitos no organismo de humanos, animais e plantas. A música calma, harmônica, determina um efeito analgésico ou anestésico. O efeito oposto ocorre com sons estridentes, muito fortes, desarmônicos, que criam hiperestimulação das células nervosas e estresse nos neurônios.
Alguns autores recomendados por sua música, com efeitos benéficos: Mozart (efeito antidepressivo), Beethoven (estimula sentimentos superiores, intensos), Bach (estimula a introspecção, efeito repousante), Vivaldi (efeito relaxante), música barroca, música renascentista etc. Os sons da Natureza (chuva, vento, mar, rio etc.) também são terapêuticos, pois, tendo uma vibração constante, proporcionam bem-estar e relaxamento.
Música terapêutica é considerada um gênero musical e pode ser encontrada em catálogos de CDs.
Músicas perturbadoras: músicas de ritmo muito marcado, como o samba, ou dissonantes, como o rock, não são indicadas para os animais. Sons muito altos podem assustá-los. O compositor clássico Wagner não é aconselhável para animais, pois sua música estressa e hiperestimula.
Portanto, cuidado ao escolher a música que você e seu pet vão ouvir!
Coloque músicas relaxantes (como as de Mozart) adequadas às circunstâncias – isto é, se for hora de o animal dormir etc.
Prefira músicas calmas e harmônicas. Não coloque o som muito alto (os animais escutam muito melhor que nós, e para eles pode ser insuportável), evite hard rock e rap. A exposição constante à música caótica e confusa altera a estrutura do cérebro de humanos e animais.
Já há, em lojas especializadas, CDs com músicas indicadas e orientadas para os bichinhos!

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