ACUMULADORAS            

Grupo resgata 80 cães que viviam em meio a fezes: ‘Tinha cachorro dentro das gavetas’

Espalhados por todos os cômodos da casa e também pelo quintal, os cães viviam em meio a muita sujeira. Um deles foi encontrado morto em uma piscina            
Foto: Daniela Bertalo Azevedo

Um grupo de proteção animal resgatou cerca de 80 cachorros que viviam em condições de maus-tratos em uma casa em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Os cães resgatados no domingo (13) eram tutelados por acumuladoras de animais e viviam em meio às próprias fezes em um imóvel no bairro Jardim Califórnia.

Além dos cães salvos, a maior parte fêmeas grávidas e filhotes, cerca de 120 animais permaneceram na casa, onde também havia um cão morto, encontrado dentro de uma piscina.

Membro do grupo que atuou no resgate, a sitiante e voluntária Daniela Bertalo Azevedo revelou que o caso de acúmulo e maus-tratos a animais era denunciado há mais de um ano pelos vizinhos da residência localizada na Avenida Benedito Rodrigues Pinheiro. Desde que as denúncias iniciaram, o número de cães aumentou e a situação ficou ainda pior.

No domingo, após terem a entrada negada pelas moradoras da casa, os voluntários acionaram a Polícia Militar, que acompanhou a ação depois que policiais conversaram com as duas mulheres – mãe e filha – que vivem no imóvel e obtiveram autorização para entrar.

Até mesmo os voluntários, que foram ao local na intenção de ajudar os cães, ficaram surpresos com a quantidade de animais que vivia em situação de maus-tratos no interior da residência. “Do lado de fora, você via os animais gordos, achávamos que eram uns 30 [cachorros]. Levamos caixas de transporte, mas, quando entramos, a situação era horrível”, lamentou Daniela em entrevista ao G1.

No quintal e dentro do imóvel, o grupo encontrou uma grande quantidade de fezes espalhadas. Em todos os cômodos e na área externa, foram encontrados cachorros por toda parte. Para resgatá-los, os voluntários tiveram que lidar com as reações da família que os tutelava. Isso porque, segundo Daniela, a mãe, que tem 80 anos, e a filha ficaram nervosas ao perceberem que os cães estavam sendo levados e tentaram, inclusive, agredir os voluntários.

Foto: Daniela Bertalo Azevedo

“Elas foram para cima, tentaram esconder os cães. Tinha cachorro dentro das gavetas, dentro do guarda-roupa. Elas não aceitam que limpem, não aceitam ajuda. Mas elas também precisam de assistência médica, psiquiatras, precisam de socorro”, pontuou Daniela ao citar a relação entre o acúmulo – seja de objetos, lixo ou animais – e os problemas psiquiátricos.

Para que fossem levados à clínica veterinária, os cachorros foram colocados em caixas de transporte. No entanto, como não haviam caixas suficientes, vários deles foram transportados na caçamba de caminhonetes que ficaram lotadas de animais. Durante a ação de resgate, os voluntários contaram com a ajuda dos vizinhos, que doaram ração e adotaram parte dos cães. Em conversas com os policiais, os moradores afirmaram que se preocupavam não só com o bem-estar dos cachorros, mas também com a saúde da família que os tutelava.

“Coordenadoria de Bem-Estar Animal que não funciona”

Ao relatar o caso, a voluntária Daniela Bertalo Azevedo criticou a Coordenadoria de Bem-Estar Animal de Ribeirão Preto por não atender a um pedido de ajuda. “É difícil porque nós somos voluntários independentes, temos uma coordenadoria que não funciona. Eles só trabalham para retirar animal morto das ruas”, lamentou.

Foto: Daniela Bertalo Azevedo

A Coordenadoria de Bem-Estar Animal, por sua vez, afirmou que enviará uma equipe ao local nesta segunda-feira (14) para avaliar os animais e oferecer castração e tratamento para os que estiverem debilitados. Disse ainda que o caso será encaminhado ao Comitê de Acumuladores para acompanhamento de mãe e filha.

Em relação aos cães que permaneceram na casa, o grupo de proteção animal afirmou que um boletim de ocorrência deve ser registrado na Polícia Civil para auxiliar no resgate. O grupo também pede ajuda para arcar com os custos dos animais resgatados. Interessados em colaborar por meio de doações devem entrar em contato com Daniela pelo telefone (16) 98249-8266.

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